Criações de Malfeitona refletem muito suas inspirações na internet e na cultura alternativa, bem como a mistura de estilos

Muita gente procura por traços perfeitos na hora de fazer uma tatuagem, principalmente quando o desejo é retratar personagens ou retratos de pessoas. Mas uma tatuadora baiana tem feito sucesso com seus desenhos fora do padrão, e muita gente tem eternizado na pele alguma criação da “Malfeitona”.

Por trás do nome está Helen Fernandes, uma artista brasileira cujos trabalhos como tatuadora podem ser definidos (no exterior) como “Ignorant Style Tattoo”. Ela explica que a arte sempre esteve presente em sua vida, seja criando com massinha de modelar, pinturas, bordados, nail art ou estampando camisetas para ela mesma ou para os amigos.

Em 2014 as tatuagens começaram a ganhar vida, mas desse ano até 2016, Malfeitona conta que só fez três desenhos, nela mesma e em duas outras pessoas próximas e queridas. A partir de 2016, a procura pelas tattoos foi aumentando, até que cresceu para além do círculo de amigos, tornando-se um trabalho remunerado.

Além de tatuadora, Helen também é ilustradora – já trabalhou para marcas como We Transfer e Estadão – professora em cursos e oficinas, influenciadora digital e pesquisadora CNPq. Seu tema de pesquisa é justamente essa multiplicidade de tarefas. E a história de Helen mostra que a vida não é uma coisa linear.

Ela conta que quando prestou vestibular, não tinha muita noção das áreas de atuação de profissões como marketing e design, opções ligadas ao campo criativo com o qual trabalha hoje. “Um futuro estável é muito valorizado [e cobrado] em minha família e até por mim mesma. A forma mais certa de conseguir isso é indo pelo garantido. Então sempre fui ótima aluna, fiz um curso padrãozão, comecei a trabalhar super cedo, gastava as férias fazendo cursos pra tunar o currículo ou trabalhando mais. Eu não tinha paixão por nada disso mas era o certo e eu nem imaginava a possibilidade de outra coisa”, conta.

Mas mesmo tendo seguido por esse caminho, Helen sempre teve uma loja como uma atividade paralela, que acabou se tornando um dos focos principais. A loja é algo que demanda tempo e dedicação, e a artista explica que sua formação em engenharia e sua experiência de trabalho com administração e gestão hoje a ajudam muito a organizar sua atividade e produção.

Como boa filha, Malfeitona diz que sua terra natal é grande fonte de inspiração para ela. Ao lado de Salvador estão na lista a estética dark e o conceito kawaii, de coisas fofinhas, ligado ao Japão. Não parecem coisas com muita afinidade não? E é justamente assim que o estilo da Malfeitona pode ser visto, como uma boa mistura entre coisas que não parecem ter conexão.

Para a artista, é um pouco difícil definir sua arte, mas a grande certeza é que é algo que a representa. “Só sei que é algo que me satisfaz muito, que é bem fácil de sair de mim porque é muito ‘de verdade’. Não foi pensada pra ser assim. Eu gosto muito do feedback das pessoas, muita gente me diz que acha divertido e fica feliz, eu gosto de poder representar coisas”, diz.

Para o futuro, o seu caminho está aberto. Helen conta que recentemente se arriscou em um projeto novo que abriu seus olhos para outras possibilidades. Ela foi a responsável pelo cenário do palco, intervenção no figurino, projeções e ainda foi VJ em um show da cantora Nana. “Quero aprender muito e me unir com pessoas pois até então sempre fiz tudo muito sozinha e acho que pode ser massa. Estou aberta a tudo, com vontade de fazer tudo, muito apaixonada mesmo”, conclui. Confira um pouco mais de seu trabalho na pele!

AS TATTOOS OUSADAS DE MALFEITONA

Curtiu? Então se liga no perfil da Malfeitona no Instagram ou da Malfeiloja. Se preferir, visite o site da artista.

Mariana é jornalista e comunicadora. Adora descobrir novos lugares, explorar a cidade a pé e andar sem pressa. Se interessa por viagem, cultura e tudo o que é novidade.

Mariana – já escreveu posts no Follow the Colours.


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