Apesar de turísticos, estes endereços em Paris podem não estar no seu roteiro – veja porque você deve adicioná-los

Com milhares de locais famosos, museus, parques, o Sena e a própria Torre Eiffel, Paris é um destino completo que agrada a todos: de quem gosta de provar a gastronomia a quem gosta de caminhar por ruas antigas e apreciar obras de arte. Mas, além dos lugares turísticos mais tradicionais,quatro passeios históricos que são experiências únicas e valem a visita.

Abaixo, conheça as Catacumbas, onde milhões de parisienses estão “enterrados”; o Panthéon, morada de personalidades eminentes que moldaram a identidade nacional da França; a Sainte-Chapelle, capela construída para o rei Louis IX no século XIII; e a Conciergerie, uma das principais prisões durante a Revolução Francesa, local em que Marie-Antoinette ficou encarcerada.

CATACUMBAS DE PARIS

A 20 metros de profundidade, no subterrâneo das ruas da cidade, o ossuário municipal das Catacumbas de Paris é um dos maiores do mundo. As galerias, que hoje abrigam as ossadas de todos os cemitérios do centro de Paris até 1860, foram criadas séculos antes, durante a dinastia merovíngia (século V à metade do VIII), para a extração de calcário.

Labirínticas, as galerias fazem parte dos 8 km2 de extensão das pedreiras. Na Idade Média, a extração de calcário começou novamente para a construção de diversos prédios da cidade – por isso, esse tipo específico de pedra é conhecido como “pedra de Paris”.

No final do século XVIII, dois acontecimentos foram decisivos para a criação das Catacumbas: diversas partes das galerias entraram em colapso e os cemitérios apresentavam riscos à saúde pública. As pedreiras desativadas, então, passaram por obras de proteção e consolidação e foram consagradas como o Ossuário Municipal de Paris em 1786.

Abertas ao público em 1809, as Catacumbas, como ficaram conhecidas (em referência às catacumbas de Roma) passaram por uma “organização de ossos” logo depois. A disposição é a mesma até hoje: fileiras de tíbias e crânios escondem os outros ossos depositados na parte de trás. Calcula-se que as Catacumbas de Paris contenham os despojos de 5 a 7 milhões de pessoas.

Informações úteis:

  • As Catacumbas de Paris ficam a 20 metros de profundidade, o que equivale a um prédio de cinco andares.
  • São 131 degraus para descer e 112 para subir – não há elevador.
  • O percurso tem 1,5 km e dura aproximadamente uma hora.
  • Nas galerias, a temperatura média é de 14°C e a taxa de umidade pode ser elevada.
  • É imprescindível comprar ingresso online com hora marcada antes de ir – a fila do lado de fora é de assustar.
  • O ingresso com áudio-guia custa 29 €.
  • Fica na 1 Avenue du Colonel Henri Rol-Tanguy, 75014.
  • Faça um tour virtual aqui.

 

PANTHÉON

Conhecido com a obra-prima do arquiteto Soufflot, o Panthéon começou como uma igreja católica, construída pelo Rei Clóvis no início do século VI para abrigar os seus restos mortais e os de sua esposa. Padroeira de Paris, Santa Genoveva liderou a resistência ao Império Huno nos anos 450 e também foi inicialmente enterrada ali.

Em 1744, após creditar a Santa pela sua recuperação de uma doença grave, o rei Luís XV decide homenageá-la com um grande edifício. Onze anos depois, Soufflot ficou encarregado da obra e queria que a construção superasse as basílica de São Pedro, em Roma, e a igreja de São Paulo, em Londres. Nem arquiteto e nem Luís XV viram o prédio terminado.

Com estilo inspirado no Panteão de Roma, o monumento reúne distintos estilos, com colunas, plano centrado em forma de cruz grega, abóbadas, e 45 janelas altas. Nomeado Panthéon em 1791, continuou funcionando como santuário católico enquanto era usado como um templo destinado a conceder honras aos grandes homens da França, como Voltaire, Rousseau e Marat.

Em 1885, o funeral de Victor Hugo marcou o final destino cívico do prédio, que hoje hospeda personalidades eminentes que moldaram a identidade nacional da França. No interior, o pêndulo de Foucault, instalado em 1851 e reinstalado em 1995, demonstra a rotação da Terra. Os quadros ilustram a vida de Santa Genoveva e a história dos primórdios do cristianismo e da monarquia francesa.

Nas criptas, é possível encontrar nomes como Victor Hugo, Émile Zola, Alexandre Dumas, Victor Schoelcher, Jean Jaurès, Aimé Césaire, e Pierre e Marie Curie. O corredor norte contém a inscrição dos Justos, que ajudaram a esconder judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Informações úteis:

  • A visita dura, em média, 1h30.
  • O ingresso custa €11,5.
  • Fica na Place du Panthéon, 75005.

 

SAINTE-CHAPELLE

Na Ile-de-la-Cité, às margens do rio Sena, o Palais de la Cité foi a residência real entre os séculos VI e XIV. Com estilo gótico, o palácio ganhou uma capela – a Sainte-Chapelle -, construída na metade dos anos 1200 para receber, a pedido do rei Louis IX, as relíquias da Paixão de Cristo.

São dois santuários, um em cima do outro. No início, as relíquias foram expostas no santuário superior, exclusivamente usado pelo rei, sua família, amigos e religiosos. O espaço é, ainda hoje, banhado pela luz, que entra através das 15 vitrais, criando um efeito quase caleidoscópico. Nos vidros, 1113 cenas contam a história da humanidade – do gênesis à ressurreição de Cristo.

Dica: o app Sainte-Chapelle Windows permite que os visitantes dêem zoom nos vitrais e saibam mais sobre seus significados. Todas as cenas da janela rosa são grátis – para acessar todas as janelas há um custo de €0.99.

capela inferior, como podemos imaginar, era usada pelos empregados do palácio e tinha um layout mais simples. A partir de 1846, a Sainte-Chapelle passou por uma ampla restauração para arrumar os danos causados durante o período revolucionário. Com a exceção dos vitrais (que permaneceram intactos), essas alterações deram forma à capela como é vista hoje.

Com a Conciergerie, a Sainte-Chapelle atualmente faz parte do Palácio da Justiça e, juntamente das partes baixas da construção, são os últimos vestígios do Palais de la Cité. Ali também é possível encontrar a pintura de parede mais antiga de Paris: uma pintura a fresco do século XIII.

Informações úteis:

  • A visita dura aproximadamente uma hora.
  • O ingresso combinado, para visitar a Sainte-Chapelle e a Conciergerie (sem fila na última) custa €17.
  • Costuma haver fila para entrar no complexo e para entrar na Capela.
  • É preciso subir escadas para acessar o santuário superior.
  • Fica no 8 Boulevard du Palais, 75001.

 

CONCIERGERIE

Hoje parte do Palácio da Justiça, a Sainte-Chapelle e a Conciergerie – assim como as partes baixas do Palais – são os últimos vestígios do Palais de la Cité, residência real durante a época medieval.

Enquanto a Sainte-Chapelle era um espaço de adoração, a Conciergerie era a casa da guarda do rei e de todos a serviço da família real – cerca de 2 mil pessoas. Mas, no final do século XIV, a realeza se mudou para o Louvre e para Vincennes, e parte do palácio ganhou novas funções, como o Parlamento de Paris e celas de prisão.

Ali aconteceram julgamentos do Tribunal Revolucionário, instituído pela Convenção Nacional durante a Revolução Francesa, e da Primeira República Francesa, instalada após a queda da monarquia. Marie-Antoinette, a então rainha, permaneceu presa ali antes de receber a pena de morte.

Na Conciergerie é possível visitar: a salle des Gens d’Armes, com arquitetura civil gótica um fragmento da mesa de mármore negro originais; as cozinhas; o corredor dos prisioneiros (com reconstituições); a capela dos prisioneiros; a salle des Gardes, onde se instalou o Tribunal Revolucionário; a salle des Noms, com os nomes de mais de 4 mil pessoas julgadas entre 1793 e 1795; a chapelle expiatoire de Marie-Antoinette, construída em 1815 em sua cela; o pátio das prisioneiras; e quatro salas que contam a história da Revolução.

Informações úteis:

  • A visita dura aproximadamente uma hora.
  • O ingresso combinado, para visitar a Sainte-Chapelle e a Conciergerie (sem fila na última) custa €17.
  • Costuma haver fila para entrar no complexo, por conta dos detectores de metal.
  • É preciso subir alguns degraus.
  • Fica no 2 Boulevard du Palais, 75001.

 

ONDE NOS HOSPEDAMOS EM PARIS

O FTC visitou a capital francesa em abril de 2019 e, como dividimos nossa passagem em dois momentos diferentes (dois dias no começo da viagem e três no final), nos hospedamos em dois hotéis: Jules et Jim e Le Littré.

De lados opostos do Rio Sena e em bairros excelentes, os hotéis oferecem duas experiências também opostas (o primeiro é moderno e descolado e o segundo é clássico e luxuoso), mas que juntas reúnem algumas das melhores qualidades da hotelaria francesa. Na matéria acima, contamos um pouco mais de onde se hospedar em Paris, sobre cada uma das opções e o que mais gostamos.

O FTC viajou com o apoio da Air France e dos hotéis Jules & Jim e Le Littré. Esse post é resultado de um projeto exclusivo, visando trazer aos nossos leitores uma abordagem única e com olhar diferenciado sobre um dos principais destinos turísticos do mundo. O FTC tem total controle editorial e opinião própria sobre o conteúdo publicado.

Mariana Bruno é jornalista e escritora especializada em decoração, arquitetura e design. Já trabalhou em diversas plataformas e hoje atua na área de PR. Acredita no poder das experiências, do lifestyle, do entretenimento e das viagens. Instagram: @missbruno

Mariana Bruno – já escreveu posts no Follow the Colours.


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