Com uma história intimamente ligada a sete mulheres, a propriedade é uma das mais bonitas em toda a região do Vale do Loire

Ao fazer uma viagem, de carro ou de bicicleta, pelo Vale do Loire, que está a poucas horas de Paris, é impossível ignorar alguns dos inúmeros castelos que fazem parte desta que é uma das regiões mais bonitas e charmosas da França. Entre as muitas propriedades que valem a visita, uma em especial chama a atenção, tanto pelo cenário encantador, quanto pela interessante história: o Château de Chenonceau, também conhecido como “O Castelo das Sete Damas”.

O apelido deve-se à forte ligação do castelo com sete mulheres que, de alguma forma, estão intrinsicamente ligadas à história dele. A atual construção de Chenonceau remonta ao Século XVI, quando a propriedade foi comprada por Thomas Bohier, camareiro do Rei Carlos VIII, que destruiu a residência existente até então no terreno, construindo no lugar um castelo totalmente novo. Quem supervisionou a obra foi a esposa de Thomas, Catherine Briçonnet, responsável ainda por hospedar a realeza francesa no castelo em diferentes ocasiões.

Anos mais tarde, o filho de Thomas, que havia herdado o castelo, foi expulso de lá devido a dívidas em aberto com a coroa francesa. A propriedade foi entregue ao Rei Francisco I, e depois passou ao herdeiro dele, Henrique II. Este, ao invés de entregar o Château para sua esposa, Catarina de Médicis, dedicou o local para sua amante, Diane de Poitiers.

Foi Diane de Poitiers a responsável pela construção da ponte arcada que até hoje é o grande marco arquitetônico do castelo, ligando o palácio à margem oposta do Rio Cher. Foi ela também quem coordenou a plantação dos belos jardins dispostos pela propriedade. Fortemente ligada a Chenonceau, Diane obteve a posse legal do castelo depois de muitos anos. Mas depois da morte de Henrique II, a viúva, Catarina de Médicis, conseguiu despejar a amante do marido de lá.

Com a expulsão de Diane de Poitiers, foi a vez de Catarina de Médicis se mudar para o castelo. Reconhecendo o bom gosto da amante do marido e o valor de tudo que ela construiu na propriedade, Catarina decidiu dar continuidade às obras já iniciadas, aumentando os jardins e parques e dando ainda mais grandeza a Chenonceau. Sob sua administração, o castelo sediou magníficos eventos e celebrações da realeza, sendo palco inclusive da primeira cerimônia de queima de fogos de artifício na França.

Foi Catarina de Médicis quem ordenou a construção da Grande Galeria sobre a ponte projetada por Diane de Poitiers, cômodo que até hoje é um dos principais destaques da propriedade.

Quem herdou o castelo de Catarina foi a nora dela, Louise de Lorraine-Vaudémont, que impôs ao local uma aura de luto quando entrou em profunda depressão após seu marido, o Rei Henrique III, ser assassinado. A proprietária passava dias inteiros simplesmente vagando pelo palácio, lamentando o trágico destino. Foi o fim da era das grandes festas e celebrações em Chenonceau.

Após a morte de Louise, Chenonceau pertenceu ao seu herdeiro, César de Bourbon, e à esposa dele, Françoise de Lorraine, retomando a aura palaciana de outrora. No Século XVIII, foi vendido ao Duque de Bourbon, que se desfez de diversos itens valiosos que pertenciam ao castelo. A propriedade foi novamente vendida, desta vez para Claude Dauphine, cuja esposa, Madame Louise Dupin, foi responsável pela revitalização do palácio, passando a receber líderes do movimento iluminista, como Voltaire, Rousseau e Montesquieu, e salvando-o da destruição durante a Revolução Francesa.

No Século XIX, Chenonceau foi novamente vendido, agora para um empresário escocês, que entregou a propriedade para sua filha, que por sua vez, gastou toda a fortuna da família em festas nababescas no palácio. 

Hoje, Chenonceau pertence à família Menier, e muito bem preservado, é o segundo castelo mais visitado em toda a França, perdendo apenas para o Palácio de Versalhes. Sua arquitetura é uma mistura dos estilos do gótico tardio e do início do Renascimento, refletindo o período em que foi construído e teve as principais benfeitorias realizadas por Diane de Poitiers e Catarina de Médicis.

O local serviu ainda como hospital de campanha durante a Primeira Guerra Mundial, e esta parte mais recente de sua longa história é contada em um pequeno museu num anexo ao lado do edifício principal.

L’ORANGERIE

Uma visita a Chenonceau não é completa sem uma refeição no L’Orangerie, elegantérrimo restaurante localizado dentro dos domínios do castelo. Dependendo do horário da visita, você pode almoçar ou tomar o chá da tarde servido no local. Só não deixe de separar umas duas horinhas do dia para ter essa inesquecível experiência gastronômica.

O que é melhor do que visitar um lugar lindo, repleto de paisagens de filme? É visitar um local que alia ao visual uma história das mais interessantes, mostrando a força do poder feminino desde séculos atrás. Chenonceau é um castelo obrigatório em qualquer roteiro pelo Vale do Loire! 

O FTC viajou com o apoio da Air France e do Escritório de Turismo do Vale do Loire. Esse post é resultado de um projeto exclusivo, visando trazer aos nossos leitores um conteúdo único e com olhar diferenciado sobre um dos principais destinos turísticos do mundo. O FTC tem total controle editorial e opinião própria sobre o conteúdo publicado.

Fabio Calderon é jornalista de formação, e desde cedo enveredou pelo caminho sem volta das viagens mundo afora. Da Disney à Ásia, não há destino que escape de sua wishlist. Atualmente, comanda a Planejante, agência e consultoria de viagens especializada em roteiros personalizados. Entre suas paixões, além da vida nômade, estão as experiências gastronômicas (de ceviche a hambúrguer, passando por noodles e sorvete), museus, passeios ao ar livre, road trips, e qualquer coisa que seja sinônimo de liberdade e pé na estrada.

Fabio Calderon – já escreveu posts no FTCMAG.



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