A rede de hotel Barriére faz parte da história de Deauville desde o início dos anos 1900. Apenas a 2 horas de Paris, confira esse destino que possui localização fantástica sobre o mar e junto ao verde na Normandia

Os telhados triangulares, as varandas trabalhadas e as fachadas coloridas caracterizam muito bem a arquitetura da Normandia, que é um dos pontos altos da região francesa. Apenas 10 minutos (e um rio) separam a badalada Deauville da tradicional Trouville e a fama definitivamente as precede.

A convite da rede de hotel Barriére, nos hospedamos no Le Normandy durante a nossa visita. Além de seguir o estilo normando dos prédios ao seu redor, o hotel fica no centro de Deauville, a poucos quarteirões de pontos turísticos. Acontece que a história da rede se mistura também com a história do local, já que a sua construção fez parte da retomada do glamour de Deauville nos anos 1900.

A HISTÓRIA DE DEAUVILLE

Mas, antes disso, na metade do século XVIII, o Duque de Morny (meio-irmão de Napoleão III) começou a investir na pequena vila, porque via potencial para atrair a classe alta parisiense para a costa. Depois de criar seu “reino de elegância” com jardins, banhos hidroterápicos, hípica, hotéis, cassino e estação ferroviária, a cidade se tornou o que o Duque imaginava.

Em 1865, o benfeitor de Deauville morreu e a cidade caiu em esquecimento. No início dos anos 1900, o resort Trouville-sur-Mer, já era popular entre os turistas vindos de Paris. Na década seguinte, Eugène Cornuché, diretor do cassino de Trouville decidiu construir uma unidade do outro lado da ponte, em Deauville, assim como hotéis de luxo: primeiro o Le Normandy e, em seguida, o Le Royal, seu vizinho.

Depois da Segunda Guerra Mundial, Deauville e Le Normandy se tornaram um point da eliteCoco Chanel, Winston Churchill, o príncipe Charles, o rei espanhol Alfonso XIII, André Citroën e Françoise Sagan eram alguns de seus visitantes ilustres. Coco Chanel, inclusive, abriu uma loja ali perto.

Em 1927, Eugène foi sucedido por François André à frente da “Société des Hôtels et Casino de Deauville” (SHCD) e adicionou mais um hotel: L’Hôtel du Golf. Em 1962, François morreu e seu sobrinho, Lucien Barrière, assumiu e unificou o grupo. Ele também contribuiu com a criação do American Cinema Festival, que acontece anualmente na cidade, atraindo inúmeras celebridades.

Em 1990, Diane Barrière-Desseigne sucedeu seu pai, reformou os hotéis e criou o estilo Barrière em colaboração com o arquiteto Jacques Garcia. Hoje, a rede é liderada por Dominique Desseigne, antigo marido de Diane (ela faleceu em 2001). Ao todo, são 18 hotéis e 34 cassinos. Além da França, há unidades em St. Barth, na Costa do Marfim, em Marrocos e em Cairo, no Egito.

O HOTEL BARRIÉRE LE NORMANDY

Background e histórias à parte, o hotel Le Normandy é maravilhoso. Concebido como uma genuína vila anglo-normanda, o Le Normandy é espaçoso, luxuoso e aconchegante. Em 2015, o prédio fechou pela primeira vez desde a inauguração e recebeu uma reforma completa pelas mãos de Nathalie Ryan, arquiteta responsável por transformar por exemplo, as lojas da Dior.

Entre as mudanças – que duraram seis meses e envolveram 600 artesãos -, todos os quartos receberam diferentes tons de Toile de Jouy, tradicional tecido estampado, e um carpete em padrão espinha de peixe, que lembra o piso em parquet original. O resultado é um hotel imponente, cheio de história e conforto.

GASTRONOMIA DO BELLE EPOQUE

O restaurante do Le Normandy, o Belle Epoque, também foi renovado. Nas duas diárias que passamos por lá, todas as vezes que cruzamos a porta ficamos admirados com o mosaico no piso, as paredes cobertas de espelhos, o lustre enorme e o bar que recepciona os hóspedes para o café e as refeições.

A gastronomia do restaurante, aliás, é excepcional e jantar ali foi uma das melhores refeições que fizemos em toda a viagem. Além do Belle Epoque, o hotel também conta com piscina, o Bar du Normandy e o Spa Diane Barrière. Todos estão abertos para hóspedes e visitantes.

Nós passamos apenas duas noites no Hotel Barriére Le Normandy, mas podemos dizer que o hotel entrega o que promete. Um exemplo é o cuidado com os hóspede que, ao chegar em um dos 271 quartos, são recepcionados por um bolo de banana artesanal feito no próprio hotel. Nós amamos a experiência.

E para quem gosta de visitar cenários de filmes, Um homem e uma mulher (Un homme et une femme), de Claude Lelouch, foi rodado ali em 1965. Como homenagem, uma das suítes levam o nome do longa.

Se você for para a Normandia, não deixe de conhecer o Le Normandy. Como mencionamos acima, a rede de hotéis também possui mais dois hotéis incríveis na cidade, o Le Royal e L’Hotel Du Golf. Não deixe de conhecer o corredor ensolarado do Le Royal, que fica ali ao lado do Le Normandy. Se não puder se hospedar, reserve uma noite para jantar no Belle Epoque – há um cardápio especial, com entrada, prato principal e sobremesa, por €50 por pessoa.

Visitamos o L’Hotel du Golf que possui uma atmosfera mais casual e contemporânea. Os quartos e suítes tem vista para o mar ou para o verde.

O bar do L’Hotel du Golf, Le Green Bar, possui um terraço panorâmico de 180° de frente para o Canal. Aqui, você desfruta de deliciosos drinques e aperitivos em cadeiras confortáveis com um super toque de design! 

Mariana Bruno é jornalista e escritora especializada em decoração, arquitetura e design. Já trabalhou em diversas plataformas e hoje atua na área de PR. Acredita no poder das experiências, do lifestyle, do entretenimento e das viagens. Instagram: @missbruno

Mariana Bruno – já escreveu posts no Follow the Colours.


Você também poderá gostar de:

Comentários