Entre os entusiastas de tecnologia e de todos os adventos modernos que dispomos hoje para fazer as coisas de maneira mais prática, rápida e deveras indolor, e aqueles que vestem a carapuça da nostalgia e se refestelam em uma tarde de domingo num cenário vintage, prefiro a coluna do meio.

Dito isso, hoje vou falar de uma coisa que me faz falta em São Paulo: a livraria independente de bairro. Para onde quer que se olhe, só se vêem as tais das megastores. Se não é megastore, é superstore, bigstore ou mesmo uma Americanas da vida… Há um ano, fui numa dessas raríssimas livrarias de bairro ainda existentes, cheguei para o dono e fiz a seguinte solicitação: “Queria um livro policial que fosse atual, mas real, sem efeitos especiais ou tramas incríveis, e que tivesse o lance da violência e tal, mas também algo além, uma história, sabe?” Sem titubear e, para minha surpresa, ele me indicou um empoeirado e escondido exemplar de ‘Edições Perigosas’ do John Dunning, que veio a se tornar o último melhor livro policial que li. Em tempo, essa livraria ‘também’ fechou…

Mas será possível que numa cidade desse tamanho não se possa contar com algumas boas livrarias de bairro?! Sim, poucas, mas boas, que ainda resistem. Vale correr para descobrir qualquer uma delas antes que sumam do mapa ou sejam incorporadas a alguma rede. Confira:

– Livraria de Microeditoras – Uma casa na rua Luis Murat , em Pinheiros, abriga essa loja com livros de editoras independentes como Patuá, Terracota, Edith, Iara, Intermeios e Demônio Negro. Nas prateleiras, livros de autores jovens e também clássicos como Ezra Pound e Octávio Paz;

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– Freebook – A pequena loja na Rua Engenheiro Mesquita Sampaio, em Santo Amaro, aberta em 1976, se mantém firme e forte. Focada em livros importados, edições de luxo e colecionáveis;

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– Haikai – Com uma história de mais de 20 anos, três deles na Praça Vilaboim, a Haikai é uma livraria independente focada, sobretudo, em obras de arquitetura, design de interiores, paisagismo, urbanismo e moda;

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– Livraria Nove.Sete – Localizada na Vila Mariana, é o espaço ideal para os pequenos leitores. Com bonecos de papel machê e móbiles por todo canto, é inteiramente dedicada à literatura infanto-juvenil com mais de 8 mil títulos;

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– Livraria Fonomag – O espaço na Liberdade oferece mangás, livros especiais relacionados a animes ou dica de jogos, ensinamentos de origami, entre outras obras relacionadas ao Japão;

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– Livraria Suburbano Convicto – No segundo andar de um antigo prédio na rua 13 de Maio, no tradicional bairro do Bixiga, essa livraria tem foco na literatura marginal ou periférica. São cerca de mil títulos disponíveis, entre poesias, revistas e livros voltados para a cultura hip-hop;

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– Livraria do Alto – Localizada na Praça Deputado Dario de Barros, numa das alças da Ponte Cidade Jardim, a Livraria do Alto é uma típica casa livreira de bairro, com tudo aquilo que tal estabelecimento oferece: atendimento especial, acervo cuidadosamente montado, bom preço e estilo;

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– Livraria da Esquina – Com belos dirigíveis espalhados pelo teto e iluminação bem sacada, essa livraria na Barra Funda investe no conceito de espaço de convivência para os apreciadores da boa leitura. Os livros exibidos na estante que se estende por quase todo o espaço combinam com o clima eclético do local, que abriga várias festas, com destaque para a “Bendita”, evento mensal em que artistas, músicos, atores e jornalistas vivem a experiência de serem DJs por um dia;

Alternative bookstore ("Livraria da Esquina") interior - Sao Paulo - by Carlos Alkmin

– Livraria Zaccara – Aconchegante sobrado no bairro de Perdizes. Além dos livros, a maioria sobre música e literatura brasileira, lá também rolam exposições, peças de teatro e clube de leitura.

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Paulo Moura é jornalista, sócio-diretor da Agência VIRTA e autor do blog Mosca Branca. Além do FTC, também escreve sobre inovação e criatividade para o Hypeness.

Paulo Moura – já escreveu posts no Follow the Colours.


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