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Cooltura

Parque de esculturas a céu aberto é inaugurado em Boituva, no interior de SP

Victor Foroni, artista por trás do projeto homônimo que conta com 50 alqueires (ou mais de 1 milhão e 200 mil metros quadrados) transformou seu antigo haras, na cidade de Boituva-SP, no maior parque de esculturas e espaço dedicado às artes visuais, design e paisagismo do estado de São Paulo.

Um dos nomes responsáveis por concretizar projetos de algumas das principais figuras do modernismo e da arquitetura brutalista do país, Victor Foroni, artista com formação em engenharia mecânica pela Escola Politécnica da USP, desde cedo frequentava o ateliê do pintor Alfredo Volpi no bairro do Cambuci-SP devido sua ascendência italiana e pela proximidade de um tio artista que o levava para conferir as produções de perto, ainda quando criança. Nesta mesma época, ganhou de presente um livro de matemática de um outro tio que o incentivava a estudar o tema, e a partir daí se tornou matemático e começou a desenhar e projetar móveis que chamavam atenção pelas finalizações e resultados fora do padrão.

Os estudos evoluíram e após a formação em engenharia nasceu a construtora Método, que realizou projetos que despertou atenção de Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha e Ruy Ohtake, que logo o convidaram para auxiliar na finalização de trabalhos icônicos, como o Sesc Pompéia, Edifício Forma, Museu da Escultura e Hotel Unique através de sua construtora, por conta de sua criatividade e pelas soluções inventivas que se destacavam.

Paralelamente a profissão de engenheiro/empresário, Foroni iniciou no mundo das artes por meio do teatro, e logo de cara já descobriu outra paixão, e que anos mais tarde se tornou combustível para que o artista ampliasse o campo de atuação para as artes visuais com a produção de esculturas e pinturas a base de tinta acrílica sobre tela.

Por influência dos pais, vindo de uma família rural por parte da mãe e criadores de cavalos pelo pai, foi natural que Foroni também despertasse interesse pelo universo equestre e com isso adquiriu uma enorme propriedade de mais de um milhão de metros quadrados na cidade de Boituva, localizado a cerca de 1h30 da capital paulista, para transformar o espaço em um haras para que pudesse seguir os passos do pai e criar cavalos de hipismo, e que depois decidiu aproveitar a enorme área verde do local para se dedicar também a criação de plantas, palmeiras e árvores.

Ao realizar diversas atividades simultâneas, Foroni deu uma pausa na produção de suas pinturas e esculturas e só foi retomar os trabalhos nas artes visuais no início dos anos 2000. 

Antigo haras em Boituva vira instituto de arte e paisagismo

Hoje, passadas quatro décadas após Foroni adquirir o haras, o local ganha um novo significado: se tornando um instituto que leva seu nome e que irá abrigar, a partir de 2027, diversas atividades culturais abertas ao público e gratuitas, a começar pela própria exposição Estrutura do Imaginário. 

Victor Foroni, Três Quadrados, 2026. Tinta automotiva sobre aço carbono. 100x100cm

Exposição “Estrutura do Imaginário”

Na mostra, o artista apresenta pinturas e esculturas que são reverberações da sua mente estruturada. Nas obras, produzidas desde 2012, cor e forma estão a serviço do seu pensamento plástico. Nas cores vivas e vibrantes, com certa influência de Mondrian, pode-se aperceber o entusiasmo com que Foroni executa tudo a que se propõe. Os trabalhos impressos partem de pinturas feitas diretamente em tela, também presentes na exposição. A obra é fotografada, a imagem é levada para o computador e, então, replicada, combinada e rearranjada por Foroni em busca da beleza. O resultado são trabalhos visuais que possuem ressonâncias da tradição construtiva e da Op Art.

Em certo grau, a visualidade desses quadros também está relacionada a processos da construção civil. Assim, optou-se por apresentá-las na área anteriormente dedicada aos dos cavalos, sem maquiar a arquitetura. As esculturas, a maioria distribuídas em meio às plantas do espaço externo, são diversas, com formas e escalas múltiplas. Foroni parte de formas descomplicadas, de linhas retas e planos, fruto de equações matemáticas de primeiro grau. Após transformá-las, atinge resultados surpreendentes. Já o uso da cor é minimalista, com poucas misturas.

Foroni gosta da simplicidade, algo que o encanta. A sua arte é fruto de sua personalidade, e, a despeito de certa racionalidade, há nas obras uma visceralidade inata. A sua força advém de um forte desejo de habitar o mundo de um modo marcante, incisivo. Em algumas das esculturas, é possível notar influências de Amílcar de Castro (1920– 2002) e de Franz Weissmann (1911–2005), dois artistas que Foroni admira e que estão presentes em sua coleção particular. Sua admiração se estende ainda a Hélio Oiticica (1937–1980). 

Victor Foroni, Paliteiro, 2026. Tinta automotiva sobre aço carbono. 500x240cm

A exposição conta, também, com maquetes de possíveis futuras esculturas. Se quando Foroni era criança, sua mãe o chamava de “arteiro”, agora, a brincadeira é a sério. A arte que produz, movido pela satisfação pessoal e pelo prazer de fazer, carrega o que todo bom artista deve trazer e que as crianças costumam ter: a capacidade de experimentar sem medo.

Vai lá: Victor Foroni – Estrutura do Imaginário

Data: até fevereiro de 2027

Horário: 10h às 18h 

Local: Instituto Victor Foroni (localizado na cidade de Boituva-SP a cerca de 1h30 de São Paulo)

Como chegar: Busque Instituto Victor Foroni no Google Maps, que oferece a localização mais precisa

Estacionamento: Sim

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