Bárbara Tamilin é designer e ilustradora. Bárbara nasceu em uma cidade minúscula no litoral do Espírito Santo, mas desde 2012 mora em Curitiba. “Eu vim para cá inicialmente para cursar Sociologia, mas no meio do caminho acabei desistindo e seguindo minha criatividade, até que fui parar no Design Gráfico, curso que me formei em 2018 e trabalho desde 2015. Eu sempre tive muito incentivo a ilustrar dentro de casa, pois minha mãe lecionava e pintava a tinta à óleo/acrílica durante a minha infância”.

Bárbara conta que sempre amou cores e retratos, rabiscava, mas nunca nada “sério”. “Eu mentiria se dissesse que meu maior hobbie de infância era desenhar! Durante a adolescência isso mudou um pouco, mas talvez por nunca ter olhado a ilustração como profissão, não levei pra frente. Mas eu sempre admirei de longe: lembro a primeira vez que vi o trabalho da Yelena Bryksenkova, por exemplo! Foi um misto de “isso é muito perfeito – quero pra mim” com ‘como faço pra começar a ser talentosa igual ela?’ Hahaha”.

Quando a artista entrou no Design, acabou em contato com a ilustração, e nisso perdeu seu medo e foi onde se encontrou. Seu TCC com um colega de turma foi sobre um livro que trazia como tema o Brasil ilustrado, unindo design editorial com ilustração, e desde então ela não parou de desenhar. Tudo aconteceu muito rápido, e não fazem mais que dois anos que ilustra todos os dias.

SOBRE AS CORES

A história de Bárbara Tamilin com ilustração quase que se mistura pela sua paixão por cores. Desde sempre – muito antes de trabalhar com design – ela amava criar mil pastas no Pinterest com fotos e ilustrações só pra salvar uma paleta de cores delas. “E assim, como eu não desenhava quase nada na época, as paletas eram simplesmente para ficar olhando e admirando, bem terapêutico! Imprimia várias que eu gostava e pendurava em algum canto do meu quarto. Apesar de hoje em dia estar imersa no rosa, eu tenho uma enorme paixão pela escolha das cores, talvez seja minha parte preferida do processo criativo. Mas infelizmente como quase todo designer que eu conheço, as cores só ficam nas ilustrações, por que o guarda-roupa é todo preto!”

SOBRE SUAS PERSONAGENS MULHERES

Já as personagens mulheres são basicamente a razão pelo que ela gosta tanto de desenhar. Apesar de também amar paisagens, botânica, florais, padronagens e objetos, são nas mulheres que ela sente prazer e força em continuar desenhando. “Acho que já existe muita arte que retrata a mulher de forma machista e sexualizada, como nos quadrinhos, e admiro muito o movimento contrário que vem surgindo. Chegou a nossa vez de contar as nossas histórias e sermos representadas por meio da ilustração”.

OS DIFERENTES TONS DE ROSA

Bárbara conta que a sua relação de amor com a cor rosa em geral é bem estranha! Até pelo menos dois anos atrás era uma cor que ela não aguentava nem olhar por muito tempo, sempre torcia o nariz.

“Tive um quarto na infância que por anos foi um rosinha meio pêssego, sabe? Acho que daí que veio o ranço. Um dia eu acordei e vi o mundo diferente! Queria tudo rosa, pintar em rosa, viver literalmente com uma lente de óculos rosa. Não sei explicar, eu simplesmente senti que tinha que ser assim. É como se todas as minhas personagens vivessem imergidas em um sonho meio doce, um sorvete napolitano”.

Ela também admira a suavidade que o rosa traz em contraste com diferentes atmosferas da ilustração. Poder retratar um assunto mais sério com tons pastéis, por exemplo, acaba criando um certo suspense na narrativa. Mas a artista precisa dizer que da mesma forma que acordou querendo viver nesse mundo rosa, morre de medo de um dia acordar e começar odiá-lo!

A ARTE PARA BÁRBARA TAMILIN

“Essa vai ser aquela resposta bem clichê. Hoje em dia eu posso dizer que a arte e o design são como uma base pra minha vida. Pra mim, é impossível passar uma hora sequer sem ter uma ideia, um insight, um plano mirabolante ou qualquer coisa que me faça aguçar a criatividade!”

Desde as coisas mais bonitas até as mais tristes, a artista fala que poder transformar essas abstrações em algo ilustrado é muito prazeroso, e, mais do que isso, uma forma de autoconhecimento, autocrítica, aprendizado e muita paciência com os próprios erros. Uma das maiores satisfações é ver diferentes pessoas se identificando com o que ela faz.

INSPIRAÇÕES DE OUTROS ARTISTAS

Ao perguntarmos o que ela tem lido, escutado ou visto, Bárbara conta que tem imergido bastante na música pop. Quem ela mais tem ouvido é a Rosalía, o CD novo do Robyn, Lana del Rey, King Princess. “Mas pra ser sincera, minha playlist perfeita – aquela que é um paraíso para desenhar – é feita de muito folk: Fleet Foxes, Fleetwood Mac, Angel Olsen, Kurt Vile”.

Também tem curtido ouvir podcasts sobre design e ilustração enquanto trabalha, adoro o 3 Point Perspective. “Confesso que sou a pior referência para séries e filmes por que eu sempre durmo no meio, mas amo livros de poesia!”

SOBRE VIVER DA ILUSTRAÇÃO

“Bom, acho que o mercado de design está há um certo tempo muito receptivo para ilustradores, adaptando ilustrações em seus produtos, desde projetos de branding, embalagens, animação e audiovisual no geral. Dá pra notar uma busca por algo mais sincero, sabe? Algo que converse com os seus clientes e não só fotos pegas de bancos de imagens. A ilustração se encaixa muito bem em transmitir uma mensagem ou um sentimento específico, tenho certeza que as pessoas conseguem se identificar melhor, além de despertar maior interesse”.

A ilustradora sente que o mercado editorial também está mais aberto do que nunca para seu segmento. “Pra ser bem sincera, acho que a maior dificuldade é conseguir estar sempre ativa, ilustrando, e também ativa em redes sociais, por exemplo. Não dá pra negar que hoje em dia tudo passa por redes sociais e tem dias que isso se torna muito desgastante, afinal, todo mundo quer ter seu trabalho visto e existe muita gente talentosa nesse mundo, né?”

Como seu trabalho principal é como designer numa agência, ainda não sentiu como é viver só de ilustração, mas desde que está agenciada como ilustradora viu que também não é um bicho de sete cabeças.

O FUTURO

“Nossa, eu faria de tudo pra saber! Mentira, por que eu gosto de um suspense também. Hahaha. Pra 2019 eu espero, na minha vida profissional, poder utilizar mais a ilustração em meus projetos de design. Como eu já disse, eu ainda tenho a maior parte do meu tempo tomada pelo design e um trabalho fora de casa. Seria a realização de um sonho poder me tornar freelancer”.

Bárbara Tamilin conta que também seria maravilhoso poder se envolver mais com colaborações entre artistas mulheres, construir um projeto desde o começo, com algo mais político e ativista, ou beneficente! Para sua vida pessoal, adoraria ter mais tempo para poder fazer coisas rotineiras que ama. Mas por enquanto, tem muito trabalho pela frente!

UM POUCO MAIS DAS ILUSTRAS DE BÁRBARA TAMILIN

Veja mais sobre Bárbara Tamilin em seu site e acompanhe seu incrível trabalho no Instagram!

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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