Jemima Kirke ficou popularmente conhecida através da personagem Jessa Johansson da série Girls (transmitida pela HBO com última temporada marcada para 21 de fevereiro), uma garota de espírito livre, cheia de estilo, personalidade forte e pouca noção sobre o rumo de sua vida.

Na realidade, Jemima é artista plástica e tem a pintura como sua prioridade. Formou-se bacharel em Belas Artes pela Rhode Island School of Design em 2008, e por influência e incentivo da mãe, Lorraine Kirke, proprietária da boutique vintage Geminola, no West Village, pinta desde criança.

Auto retrato, 2010

Suas maiores influências nas artes plásticas são Édouard Manet e Lucian Freud, e um de seus artistas preferidos é a pintora Ophrah Shemesh. As obras de Jemima são comparadas ao estilo de Alice Neel, em concordância com a própria Jemima, que tem a consciência da similaridade e ao mesmo tempo o conhecimento de seu estilo pessoal.

Suas pinturas retratam nus femininos em pinceladas grossas, cruas e naturais, numa mistura deslizante de cores que faz parar qualquer observação afim de um olhar mais atento. Há profundidade nas mulheres de Jemima. Uma substância humana revelada pela realidade das formas corporais. Sincera e doce, séria e sensível, são detalhes subentendidos, e como toda alma feminina, intrigantes.

O ar delicado sai em sopros. São construções que escancaram a estranheza humana: cada uma é o que é, e essa é a beleza artística exposta por Kirke.

Abaixo, Jemima fala um pouco sobre particularidades de alguns de seus quadros da série “Platforms“:

“Esta foi a primeira pintura que fiz de minha filha. Desde que eu tive filhos, me tornei um pouco existencialista. Assim que ela saiu de mim, eu pensei, “O que foi que eu fiz?”. Ela é tão exposta e vulnerável. Não posso protegê-la de sua jornada. Eu não posso controlar isso. Eu não quero. Então o que tentei trazer nessa pintura é aquela solidão isolada que começa assim que nascemos. Existe uma distância nos olhos dela e uma expressão por ela ser tão misteriosa para mim. Eu ainda estou a conhecendo. Esta peça é bem escura, fisicamente, e mais escura do que as outras. Esta não é uma pintura sobra Rafa; em vez disso, é uma pintura sobre ser uma mãe”. “Rafa” 2013

“Lena é médium e trabalha com cura espiritual. Nós trabalhamos juntas no passado, e ela lê minha energia de tempos em tempos. Aqui, eu quis ver como seria trocar os papeis e lê-la. O que veio à tona foi seu olhar poderoso e desconcertante. Acredito que a maioria das pessoas que olham para esta peça acha seus olhos um tanto quanto alarmantes, quase intrusivos”. “Lena F.” 2013  

“Eu já pintei a Lola várias vezes. Mas esta, em especial, começou na verdade como um retrato de outra garota, exatamente com a mesma pose. Não continuei com ela como modelo porque toda a programação não deu certo, então decidi colocar a Lola no lugar dela. Foi um processo bastante curioso, preencher os espaços em branco da pintura com uma modelo totalmente diferente. É bem misterioso, e há algo estranho nisso tudo – a composição de duas pessoas.” “Lola,” 2012

“Cadence é a única mulher que deixei que me orientasse, porque ela tem o aspecto que eu realmente quero. Admiro e reverencio o seu corpo, por isso fiquei desesperada para deixá-la nua e pintá-la. Ela tem a aparência clássica para este tipo de pintura: forte e cheia de curvas macias. Sua pele é tão pálida. Ela parece uma pintura Vitoriana, mas foi sua confiança e sexualidade que saíram neste retrato. Sua disposição para sentar em uma posição confortável e ainda continuar poderosa e extremamente feminina. Ela é minha Olympia!” “Cadence,” 2013

“Esta é a filha de uma amiga minha. Ela tem seis anos de idade e não ficou nem um pouco desconfortável comigo. A maioria das crianças não fica, e naturalmente, elas na verdade ficam bem entediadas com o processo. Mas o que foi interessante na Sasha é que ela parecia realmente entender o porquê de eu a estar pintando. Ela apareceu com um vestido branco lindo que ela mesma escolheu, e disse muitas coisas sobre como posar para a pintura. Ela até me ajudou a decidir qual o tamanho da tela que eu usaria. Nós realmente trabalhamos juntas nisso e levamos a sério. Fiquei interessada na sua maturidade e em seu equilíbrio.” “Sasha,” 2013

“Eu, particularmente, gosto desta. É curta e doce; uma tacada só. Não posso dizer o quanto se assemelha à babá, mas eu queria que fosse sexy e ao mesmo tempo desagradável. Eu penso que uma parte acontece nos olhos; eles estão um tanto quanto mortos aqui.” “Sarabeth,” 3103  

“Esta é minha amiga Elaine sentada em minha cama. Eu gosto do fato de ela estar nua com seus óculos. E acho interessante que, mesmo estando nua, há algo assexuado nela. Este quadro foi um experimento com as cores e o espaço; eu, na verdade, prestei mais atenção no quarto ao redor do que nela mesma.” “Elaine on Bed,” 2013

Irmã da atriz Lola Kirke e da cantora Domino Kirke, atualmente Jemima mora em Nova Iorque com seu marido Michael Mosberg e dois filhos, Rafaella e Memphis Jack. Veja outros quadros de Jemima, feitos em óleo sobre tela.

Jemima possui um papel ativo quando se trata de igualdade perante os direitos das mulheres na sociedade. Por meio de vídeos e entrevistas expõe suas ideias em relação ao papel e influência feminina no campo da arte assim como em todos os sentidos da vida, aproveitando para falar sobre tabus e dogmas sociais que ainda incomodam.

Crítica e formadora de opinião, apóia a autonomia e liberdade das mulheres em realizar as próprias escolhas, defendendo o empoderamento feminino e enfatizando a importância de amar o próprio corpo, independente dos padrões estabelecidos por uma sociedade machista e conservadora.

Jemima Kirke fotografada por Cass Bird

Engajada em questões ainda muito delicadas como o feminismo, a maternidade e o aborto, conta abertamente sua própria história, na tentativa de auxiliar outras mulheres que passaram ou estão passando por situações similares e não sabem como agir ou pensar. Aos 21 anos, Jemima fez um aborto por não ter condições de criar um filho naquele momento. Atualmente, tem duas crianças.

Jemima e sua filha, Rafaella

Por fim, Jemima é artista plástica, atriz por acidente (segundo ela mesma), gosta de colecionar anéis, tatua seus amigos nas horas vagas e se inscreve de forma linda e inteligente no papel de mãe e mulher.

Jemima Kirke para Nylon Mag

O site de Jemima está fora do ar e sua conta no Instagram é privada, mas para acompanhá-la, você pode segui-la pelo Twitter @jemimakirke.

Via/Via/Via/Via.

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Viciada em açúcar, Marina Gallegani é movida pelas forças da natureza e tem fome de liberdade. Jornalista, escritora e fotógrafa amadora, se entrega às cores da vida e sonha com viagens ao redor do mundo. Em constante reconstrução, acredita ser eterna e tem a certeza de que o sorvete é uma das fórmulas da felicidade.

Marina Gallegani – já escreveu posts no Follow the Colours.


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