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A vida da grande artista mexicana Frida Kahlo (Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderon) inspira muitas pessoas até hoje. Conhecida por pintar suas artes com cores fortes e vivas, Frida criava obras ao ser influenciada pela sua realidade e seus dramas emocionais (doenças, casamento tumultuado, violência sofrida, bisexualidade). Única e intensa, uma mulher a frente de seu tempo, ela retratava principalmente a si mesma, como uma forma de expressar o seu desespero e suas dores físicas através dos autorretratos.

E foi pensando justamente em sua história que a fotógrafa profissional Camila Fontenele deu vida ao incrível projeto Todos podem ser Frida. Na época (2012), Camila descobria a fotografia como uma válvula de escape de sua profissão, foi quando começou a construir seu portfólio. Ela então teve a ideia de mandar email para amigos a ajudarem em um ensaio.

Convidou homens, que seriam vestidos de Frida, para fotografá-los e mostrar que no final das contas tudo se mistura: os homens podem gostar de cores e flores e, as mulheres, também são fortes. A ideia, que fala sobre autoaceitação, sobre as diferenças e o quanto é bonito se permitir, virou tema de exposição e fez tanto sucesso que já rodou o país e chegou à Itália recentemente.

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Em seu trabalho, Camila mostra exatamente a desconstrução do gênero, as conexões entre a arte da pintora mexicana e o comportamento social. O belo ensaio de imagens onde homens foram caracterizados de Frida Kahlo, mais do que nunca, faz um enorme sentido.

A inversão de papéis inicial foi propositadamente escolhida para mostrar que a imagem da Frida está presente nas várias nuances do ser humano. Hoje, o público pode ter a experiência de se transformar na Frida Kahlo e ter sua foto inserida em suas próximas mostras. Confira entrevista que fizemos e saiba um pouco mais sobre suas inspirações:

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FTC: Camila, como surgiu o projeto Todos Podem ser Frida?

Quando criei o projeto ainda trabalhava como publicitária, por sinal, descobri a fotografia através do curso de publicidade e propaganda. Naquela época eu sonhava em ser a melhor publicitária, ganhar prêmios e construir grandes campanhas e sacadas, mas só consegui ganhar mais horas de trabalho e desgosto. Por outro lado, através desse lance que é fotografar, descobri outras possibilidades de comunicação.

Há três anos atrás eu comecei a construir meu primeiro portfólio artístico, o Todos Podem Ser Frida. Foi na sala sem janela em que eu trabalhava que mandei os primeiros emails convidando meus amigos para participar dessa loucura. No meio do processo e ainda trabalhando como publicitária, comecei a pós graduação em cinema, pela Belas Artes de São Paulo, como resido em Sorocaba comecei a viajar dois a três dias por semana para estudar lá, e foi ali que, aproveitei para voltar com a mala lotada de livros sobre Frida Kahlo, Fotografia e Artes Plásticas.

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Como o projeto é independente, tudo teve seu tempo. Os ensaios oficiais foram divididos em cinco fragmentos principais da vida de Frida e levou cerca de um ano para se concretizar. Contei com amigos e artistas plásticos que se doaram completamente. Sinceramente, eu não tinha nenhuma noção do que havia construído, pois a todo momento o projeto era muito pessoal, falava sobre o que vi na Frida Kahlo, sobre meu processo criativo e da minha nova profissão. Porém, depois percebi que ele na verdade, também comunicava sobre outras pessoas, até hoje fico pensando sobre o dia em que simplesmente decidi que esse trabalho se chamaria “Todos Podem Ser Frida”.

As intervenções se iniciaram antes de acabar todos os fragmentos oficiais, a 1ª aconteceu em um evento pelo dia das mulheres, idealizado pelo MACS (Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba) e, depois disso, não parei. Acrescentei ao projeto como uma segunda parte, o público poderia ter a experiência de se transformar na Frida Kahlo e ter sua foto inserida nas próximas exposições. Outra coisa que eu não sabia era que as intervenções me mostraria o real objetivo do projeto, a empatia, a diversidade e a comunicação direta com a sociedade. Comecei com exposições e intervenções em Sorocaba pela Secretária de Cultura e SESC, depois, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e, em setembro, abri a primeira internacional, na Unusual Art Gallery, na Itália.

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FTC: Como você define o seu trabalho?

Meu trabalho em geral é focado nas cores, pelo menos esse é meu atual momento, mas acho importante estarmos abertos a novas propostas. Talvez um dia eu me torne um pouco monocromática. A influência dessas nuances vem de todos os cantos, artes plásticas, visuais… O meu contato com a arte e a minha descrição como artista ainda está sendo construída, definir é algo bem difícil agora, pois sempre estou passando por transformações.

A arte pode ser o poder de transformar e, é bom fazer isso por mim e pelo outro. Minhas inspirações sempre estão ligadas a vivência, ao que é/ou me parece verdadeiro, aquilo que faz meu coração disparar – é simples e complicado – ao mesmo tempo.

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FTC: Está tocando algum projeto específico atualmente?

Além do Todos Podem Ser Frida, desenvolvo ensaios, outros trabalhos mais comerciais fotográficos e meu novo projeto “Longe é um lugar perto de mim”. Esse é uma junção de memórias maternas e paternas, textos, fotografias e viagens misturados em uma busca sobre o meu eu. Ainda vai demorar para ter mais conteúdos, pois preciso estar totalmente focada nele, além de ser independente, creio que ele vai fluir melhor daqui uns 2 anos.

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FTC: Cinco coisas que você considera essencial na sua vida?

Viajar, meditar, ler, observar, escrever.

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FTC: Tem alguma frase que permeia sua vida?

Eu costumo ter muitos escritos para as minhas confusões, alguns meus e outros de pessoas que admiro. Acho que essa cabe bem, escrita por Jack Kerouac, em On The Road:

“Qual é a sua estrada, homem? – a estrada do místico, a estrada do louco, a estrada do arco-íris, a estrada dos peixes, qualquer estrada… Há sempre uma estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em qualquer circunstância.”

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Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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