A chegada da eletricidade nas ruas de Paris impactou desde a produção artística até a questão da criminalidade, transformando-a na famosa Cidade Luz 

Famoso poste de eletricidade em frente à prédios franceses em Montmartre, Paris (Imagem via John Towner)

Paris é uma cidade cheia de história e que povoa as fantasias e sonhos de muitas pessoas. Bastante ligada aos artistas, principalmente os pintores antigamente, a cidade já foi tema de diversas produções cinematográficas, entre elas Meia Noite em Paris, de Woody Allen, que fala justamente da ligação de Paris com o meio artístico. Mas você sabe como a luz mudou a capital francesa?

A chegada da eletricidade até Paris transformou a história da cidade e até mesmo a vida de pintores como Manet e Degas. O advento do gás e da luz elétrica trouxe uma mudança na paisagem de Paris e consequentemente na representação que artistas da época faziam dela. De forma pioneira, passaram a retratar tanto a joie de vivre quanto a ansiedade que a modernidade trazia durante a Belle Époque.

PARIS, A CIDADE LUZ

Gustave Caillebotte: Paris Street; Rainy Day1876-1877, The Art Institute of Chicago, Chicago. 

Nietzsche escreveu em sua autobiografia Ecce Homo, em 1888, que “Um artista não tem nenhum lar na Europa exceto em Paris”. Para os artistas do século XIX, uma temporada em Paris era um importante rito de passagem para o desenvolvimento de sua filosofia e de suas técnicas. Com o final do século, o avanço da modernidade e da urbanização, pairou sob a população um senso de prosperidade e otimismo para a época. 

A cidade é chamada de ‘Cidade Luz’, na verdade, pois durante séculos as mentes mais iluminadas nas diversas vertentes das artes eram atraídas para Paris como os insetos são atraídos pelas lâmpadas. Pintores, escultores, arquitetos, músicos, bailarinos, artistas de todo o mundo foram para o que se tornou o maior centro de artes do mundo.

Vincent van Gogh, The Outskirts of Paris, 1886. (Imagem via Wikimedia Commons).

Mas, Luís XIV, conhecido como o Rei Sol, deu sua contribuição para Paris ao aumentar a luz ao longo das ruas, numa tentativa de reduzir a taxa de criminalidade. Os esforços para instalar lanternas nas vias e o pedido que para que moradores acendessem velas próximas a suas janelas durante a noite literalmente iluminaram a vida noturna, deixando mais a vista os atos que antes aconteciam na escuridão, tornando criminosos visíveis à polícia. 

O famoso Moulin Rouge na Cidade da Luz. (Imagem via Karina Lago).

Essa estrutura fez de Paris a primeira capital da Europa a adotar luzes nas ruas, o que contribuiu para seu famoso apelido de ‘Cidade Luz’. O fim do século XIX embasbacou os parisienses com a iluminada Torre Eiffel e os barulhentos cabarés que seguiam noite adentro. 

As performances noturnas tornaram lugares como o Moulin Rouge e Folie Bergère em verdadeiros centros de entretenimento. Manet, Edgar Degas, Henri de Toulouse-Lautrec e Pablo Picasso estavam entre os apreciadores dos cabarés, que iam para lá em busca de inspiração, em meio a plumas, cores, danças e movimento.

OS POSTES DE ILUMINAÇÃO

Com a chegada dos postes de iluminação, Paris se transformou, aumentando a vida noturna. Charles Marville, apontado como o fotógrafo oficial da cidade em 1862, demonstrou interesse particular nos postes, capturando o que pode ser descrito como retratos das lâmpadas ao redor de Paris.

Charles Marville, Hôtel de la Marineca. 1870 , National Gallery of Art, Washington D.C. / Chemin de fer de l’Est (Rampe de l’escalier) no. 70, 1878. (Imagens via Wikimedia Commons).

As luzes se tornaram o ponto central da série, iniciada em 1861. As fotos são interpretadas como um marco de uma era de luzes modernas. Nas imagens, os postes de luz são capturados na frente de prédios, esquinas e vias. Cada um é retratado como um pessoa, com personalidade e com os diferentes panos de fundo. Essa série é mais um exemplo de como o advento da eletricidade influenciou toda uma sociedade e a vida noturna parisiense.

A brilhante, e o cartão postal da Cidade Luz, Torre Eiffel de Paris! 

Via. 

Mariana é jornalista e comunicadora. Adora descobrir novos lugares, explorar a cidade a pé e andar sem pressa. Se interessa por viagem, cultura e tudo o que é novidade.

Mariana – já escreveu posts no Follow the Colours.


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