Os tempos atuais são sinônimo de correria e estresse. A rotina de sobrecarga no trabalho gerou indivíduos cada vez mais estressados e ansiosos ao redor do planeta, que, por sua vez, se encontra cada vez mais urbanizado. Esse cenário tem consequências diretas na qualidade de vida das pessoas e, na tentativa de minimizar tal situação, um movimento começou a tomar corpo na área da arquitetura, é o chamado Design Biofílico.

A origem da palavra biofilia é grega e pode ser traduzida como “amor às coisas vivas”. Quando aplicada à arquitetura e ao design, retrata a proximidade do ambiente construído com a natureza através de projetos que possuem diversas características que podem melhorar muito o bem estar.

Imagem: Onekinddesign

O QUE É DESIGN BIOFÍLICO?

O psicólogo Erich Fromm foi o primeiro a usar o termo em 1964, mas a ideia foi consolidada nos anos 80 pelo biólogo Edward O. Wilson. Com o passar dos anos, os estudos apontaram que os seres humanos tendem a se sentir bem ao estarem conectados a elementos da natureza e como consequência há inúmeros benefícios para a saúde física e mental: estabilização da pressão arterial, diminuição do estresse, redução da ansiedade, alivio de dores, aceleração de processos de cura, melhoria no humor e na qualidade do sono, dentre outros.   

Imagem: Omegarender

Engana-se quem pensa que ter plantas dentro de casa define totalmente o pensamento biofílico. Na verdade, ele é mais complexo e amplo, pois tenta trazer diversos aspectos da natureza aos ambientes. Sendo assim, podemos citar alguns itens que colaboram para a construção de espaços de acordo com a Biofilia.

1. LUZ E SOMBRA

O período de sol ao longo do dia pode influenciar no bom funcionamento do organismo humano, pois a luminosidade afeta diretamente o ciclo circadiano. Estar em locais com pouca iluminação natural desequilibra diversos processos do nosso corpo, o sono é um deles. Sendo assim, ter a presença de luz natural e a consciência dessa mudança da iluminação no passar das horas é um dos pilares para a construção de um ambiente biofílico.

O home office projetado pelos australianos do Bryant Alsop possui uma generosa entrada de luz natural que está posicionada perto da mesa de trabalho e da área de descanso.

O jardim de inverno do hotel C.O.Q., que fica na cidade de Paris, traz aqui uma bela clarabóia. Esta é uma charmosa opção para aumentar a entrada de luz natural nos espaços. Imagem: Revista AD Espanha

2. TEXTURAS E MATERIAIS NATURAIS

Reproduzir a sensação de estar em meio a natureza através do uso de materiais é uma estratégia muito eficaz. O emprego de madeira, palha, pedras e outros elementos naturais é algo que automaticamente nos conecta aos ambientes externos e naturais.   

O deslumbrante banheiro do hotel Beyond Bungalows, em Bali, conjuga muitos itens que colaboram para a criação da atmosfera biofílica: cuba em pedra bruta, luminária em palha, forro do teto em ripinhas de madeira, revestimento do chão em pedra com acabamento rústico, etc.

O elaborado trabalho com o bambu, as pedras naturais e a água da piscina que adentra o espaço, fazem parte da estratégia de design que compõe o maravilhoso restaurante do Eco Resort Wild Coast Tented Lodge, no Sri Lanka.  

3. CONTATO VISUAL

Grande parte das pessoas passam o dia todo no interior das edificações, mas é importante ter a possibilidade de observar a natureza que está do lado de fora. Para tanto, é fundamental pensar o bom posicionamento e dimensionamento das janelas (argumento que vem reforçar o item número 1 “luz e sombra” aqui da lista).

O arquiteto Jim Cutler projetou seu home office com mais de uma fachada de vidro e, assim, a sensação é que a natureza adentra o espaço tornando-o mais relaxante.

Este outro home office está inserido em uma paisagem mais urbana que o anterior, mas o posicionamento da mesa de trabalho voltada para o jardim também já causa um efeito de conexão com a natureza e torna o ambiente mais calmo.  O projeto é do escritório londrino Studio Carver.

4. FORMAS BIOMÓRFICAS

Quando se observa a natureza, percebe-se a abundância de formas curvilíneas. Nesse sentido, a reprodução das formas orgânicas ou que representem o formato de um organismo natural é mais uma estratégia que o Design Biofílico utiliza. O resultado é muito belo e aconchegante.

O cantinho da sala recebeu móveis com linhas predominantemente curvas. Além de ser agradável aos olhos, é um convite ao relaxamento.

A loja de produtos a granel localizada no Maranhão utilizou cordas no teto para criar formas fluidas e reforçar a tranquilidade no ambiente de compras. O lindo projeto é do escritório Moca.

5. PLANTAS

Quando se fala em natureza, as plantas são o primeiro item que vêm à mente das pessoas e elas realmente são fundamentais nos projetos que adotam o Design Biofílico, uma vez que nos conectam diretamente ao mundo natural. Há inúmeras formas de inserir a vegetação nos espaços e ela faz uma grande diferença em qualquer ambiente.

O escritório FConsonni não economizou na criatividade ao inserir a vegetação na parede do restaurante.  Bacanérrimo!

A mangueira que ocupava o centro do terreno foi incorporada ao projeto do arquiteto Alessandro Sartore e acabou virando a estrela da casa criando uma atmosfera elegante e muito acolhedora.

É notável que as características dos espaços que habitamos impactam diretamente na nossa qualidade de vida. Sejam lugares de moradia, trabalho, lazer, etc., é importante verificar que o cuidado com o recinto reflete diretamente na saúde mental e física dos seus usuários. Sendo assim, o Design Biofílico pode fazer muito pela melhoria da vida das pessoas através de estratégias que tornam os espaços mais humanizados e gentis.

Arquiteta e Urbanista, Paula Cançado acha todas as cores bonitas. Gosta de tudo que deixa a vida mais bela: um bom papo, uma refeição gostosa, uma viagem inesquecível e aquelas músicas que fazem dançar. Descobrir coisas novas a mantém em constante movimento.

Paula Cançado – já escreveu posts no Follow the Colours.


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