Guilherme da Matta é ilustrador, designer gráfico e artista visual brasileiro. Sua relação com o desenho começou ainda na infância, muito antes de compreender o que era ilustração. Entre personagens inventados, desenhos animados copiados e horas imaginando mundos, ele encontrou no traço uma forma natural de se expressar.
Com o passar do tempo, o design gráfico tornou-se sua profissão, mas o desenho permaneceu como sua linguagem mais genuína. Hoje, sua pesquisa autoral reúne ilustração, design e influências do graffiti para criar um universo visual vibrante, marcado por cor, memória e afeto — uma tentativa de resgatar a sensação de descobrir o mundo pela primeira vez.
Em conversa com o FTC, o artista falou sobre seu processo criativo, os materiais que utiliza e a importância das cores em suas obras. Confira a entrevista:

FTC: Há quanto tempo você cria ilustrações e quais materiais utiliza no processo?
“Desenho desde criança, mas desenvolvo meu trabalho autoral de forma consistente há alguns anos.
Meu processo quase sempre começa no papel, com desenhos livres e espontâneos. Depois levo tudo para o digital, principalmente no Illustrator, onde vou construindo personagens, formas e composições como se estivesse montando um grande quebra-cabeça.
Mesmo trabalhando digitalmente, gosto que minhas ilustrações preservem o gesto do desenho à mão e uma certa imperfeição.”
FTC: Qual a influência das cores nos seus trabalhos?
“A cor nunca aparece apenas como um elemento estético; ela faz parte da narrativa. Tenho um carinho especial por paletas inspiradas em brinquedos antigos, embalagens, desenhos animados, quadrinhos, letreiros, graffiti e outras referências visuais que marcaram minha infância.
As cores despertam memórias antes mesmo de reconhecermos de onde elas vêm. Elas ajudam a criar um lugar onde o olhar pode brincar novamente.”
O trabalho de Guilherme da Matta revela como o desenho pode ser, ao mesmo tempo, memória, brincadeira e expressão. Em suas composições, cores e formas se unem para construir um universo que convida o espectador a olhar o mundo com mais leveza e imaginação.

“Quando a gente cresce, quando a gente amadurece, a gente perde esse olhar, as coisas perdem o brilho”.
Como toda criança que convida os amigos para descer à quadra e brincar, Guilherme também quer companhia nessa jornada e, por isso, um dos maiores objetivos de seu trabalho é compartilhar a diversão.

Projetos atuais de Guilherme da Matta
Guilherme da Matta tem dedicado grande parte de seu tempo ao aprofundamento de sua pesquisa autoral, buscando expandir seu universo criativo para diferentes formatos e experiências. Para além das ilustrações, o artista demonstra interesse em desenvolver objetos, livros, brinquedos, murais e colaborações com marcas que compartilhem esse olhar lúdico, colorido e afetivo sobre o cotidiano.
Paralelamente, Guilherme vem construindo parcerias com artistas e estúdios internacionais, aproximando seu trabalho de novos públicos e ampliando as possibilidades de diálogo entre sua linguagem visual e diferentes contextos culturais.
Para o artista, a arte é uma forma de preservar aquilo que o tempo costuma apagar — não apenas lembranças, mas também sensações. A curiosidade, a imaginação e a capacidade de se encantar com as pequenas coisas são elementos que atravessam sua obra, transformando cada criação em um convite para redescobrir o mundo com mais leveza e sensibilidade.
“Minha arte nasce desse lugar. Não tento representar a infância; tento preservar o olhar de quem ainda é capaz de ver o mundo como se fosse a primeira vez.”

Inspirações
Guilherme conta que encontra inspiração nas pequenas coisas do cotidiano: nas conversas, nas ruas, na música, no graffiti, nas crianças brincando, nas viagens, na arquitetura, nos brinquedos antigos, nos desenhos das décadas de 1980 e 1990 e nas histórias de sua família. São essas referências afetivas e visuais que alimentam seu processo criativo e dão vida a um universo marcado pela memória, pela cor e pela imaginação.
Acredito que as memórias mais simples costumam carregar os sentimentos mais profundos. Meu trabalho tenta transformar essas pequenas lembranças em imagens que despertem uma sensação de familiaridade, mesmo quando parecem pertencer a um universo imaginário.

Quando perguntado sobre um filme, uma música e um livro que o representam, Guilherme escolhe obras que revelam muito de sua relação com a memória e a infância:
Filme: Stand By Me (Conta Comigo, 1986). “Pela delicadeza com que retrata a infância, a amizade e as primeiras experiências que continuam ecoando pela vida inteira”.
Música: Espelho, de João Nogueira. “É uma canção sobre memória, herança e a relação entre pai e filho. Sempre me emociona e me lembra que algumas coisas permanecem vivas dentro da gente”.
Livro: A Bolsa Amarela, de Lygia Bojunga. “Pela maneira como trata a imaginação, os desejos e a infância com profundidade, sensibilidade e respeito pelo olhar da criança”.
Acompanhe o trabalho de Guilherme da Matta em seu Instagram.

