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Algumas iniciativas sustentáveis ligadas ao mundo da moda tem se destacado no cenário caótico do consumo de massa e exagerado. Existem movimentos bem interessantes com o Slow Fashion e o Lowsumerism, pessoas estão cada vez mais ligadas a cosméticos e produtos naturais e a ressignificação de materiais, inclusive no design.

Outro assunto bastante discutido é o uso de peles de animais e do couro. Ainda hoje, milhões de animais são sacrificados com esse intuito. Mas, não sejamos hipócritas: essa indústria não acabará facilmente, mas é importante a tomada de consciência e a busca por alternativas mais ecológicas. Foi exatamente o que aconteceu com a designer e pesquisadora Carmen Hijosa.

A jornada de Carmen começou em Espanha, mas sua carreira levou-a para vários lugares do mundo: Portugal, Alemanha, Reino Unido e Filipinas. Hijosa trabalhou mais de 15 anos tanto na concepção quanto na fabricação de artigos de couro antes de ir para as Filipinas realizar novas pesquisas para o desenvolvimento de produtos feitos a partir de fibras naturais.

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A descoberta veio quando ela percebeu que poderia fazer um tecido não-tecido ao utilizar as longas fibras encontradas nas folhas de abacaxi. O ponto culminante de seu trabalho resultou na criação do Piñatex, um ‘tecido’ natural e sustentável único, feito com as folhas de ananás, subproduto da colheita da fruta (ou seja, as partes que seriam jogadas no lixo).

Carmem aproveitou o poder do abacaxi com o propósito de imitar o couro. Desenvolvido pela empresa Ananas Anam, o resíduo que seria descartado é reaproveitado para a produção de sua ideia. A opção alternativa é tão forte quanto o produto de origem animal e pode ser utilizada para fabricar roupas, calçados, malas, acessórios e até móveis.

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Para fazer um metro quadrado são necessárias 480 folhas de abacaxi. As fibras são enviadas para a Espanha, onde a transformação ocorre. Elas são extraídas das folhas durante um processo chamado de descasque, que é feito na plantação por comunidades agrícolas locais nas Filipinas apoiadas pelo projeto. Em seguida, são submetidas a um processo industrial para se tornar um têxtil.

Além disso, outro subproduto criado no processo é a bio-massa do abacaxi, que pode ser adicionalmente convertida em fertilizante orgânico ou bio-gás. Tanto a extração das fibras quanto da bio-massa traz um lucro adicional para essas comunidades.

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O tecido é mais barato e mais leve do que o couro verdadeiro. Pensando no material que cada vez mais se torna escasso e caro, além de consumidores que procuram soluções ecológicas e que não maltrate os animais, há uma enorme abertura no mercado, que até à data têm sido parcialmente preenchidas por plásticos e tecidos sintéticos. A chegada de um material adequado as origens naturais, como Piñatex, expande esse crescimento.

Marcas de roupas, sapatos, móveis e acessórios já utilizaram o tecido feito de abacaxi em suas criações. Há cases de iPad feitas pelo estúdio SmithMatthias, os produtos criados pela Ally Capellino, a coleção sustentável da designer belga-libanesa Mayya Saliba que inclui roupas e bolsas de mão, uma outra coleção de bolsas da AL-RF (Alexandra Groover X Rachel Freire) e até um tênis da Puma.

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O Piñatex é versátil, respirável, suave, leve, forte, flexível e pode ser facilmente impresso, tingido, costurado e cortado.

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O material é interessante justamente por não causar danos aos recursos naturais, prejudicar animais ou poluir o ambiente.

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A ideia é realmente genial, não? A moda não precisa ser cruel em nome da vaidade. Que tal mais consciência ao consumir, pensar em novas alternativas, apoiar pequenos produtores e as opções sustentáveis e ecológicas? O pouco que fazemos pode mudar algo dentro e fora da gente!

Via/ViaFotos: Divulgação/Ananas Anam.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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