Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-00

Aline Watanabe tem 27 anos e é formada em Têxtil e Moda. Trabalhou um tempo como designer de estamparia, mas não se identificou na área e resolveu investir em outras coisas. Começou a fazer cursos na área de alimentos e bebidas, barista, bartender, chocolataria, vinhos e acabou descobrindo as balas artesanais. 

Se apaixonou por aquilo instantaneamente, foi trabalhar numa loja que as fabricava e parecia que tinha encontrado algo que realmente gostava. Nesse meio tempo, ela resolveu fazer sua primeira tatuagem e gostou muito desse universo, principalmente as mais contemporâneas na pele, que traziam muita inspiração.

Aline chegou a pensar em trabalhar com isso, mas não acreditava que desenhava o suficiente. Por incentivo de muitas pessoas, achou que era capaz. Foi atrás de informações que a ajudassem a iniciar na carreira, pediu auxilio ao seu primeiro tatuador, o incrível Rodrigo Tas (que já apareceu aqui), que para sua surpresa, a chamou para ser aprendiz.

Ela então pediu demissão no trabalho e começou a tatuar os amigos. Tudo foi acontecendo muito rápido desde outubro do ano passado. Aline já fez 24 tattoos até o momento e o melhor de tudo foi ver que as pessoas se identificam com seus desenhos. Ela não imaginava que isso seria o início de uma bela história e que os clientes fossem gostar tanto de sua linguagem.

Aline conta hoje para o #tattoofriday, um pouco sobre seu percurso. Agradece a cada dia por estar aprendendo cada vez mais e acredita em suas cores e estilo. Dá só uma olhada:

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-01

“Eu sempre achei tatuagem bonito nos outros e tal, mas nunca me interessei em me tatuar, até eu começar a ver o que o pessoal de fora estava fazendo na pele das pessoas. Era incrível aqueles efeitos de tinta e aquarela que eram possíveis, e o Follow sempre foi um site de referência pra mim, não só na tattoo. Foi onde vi o Ondrash pela primeira vez e fiquei maravilhada”.

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-02

FTC: Aline, conte como você entrou no mundo da tatuagem.

Nessa época que eu decidi me tatuar, não cheguei a pesquisar se algum tatuador brasileiro fazia o trabalho igual que via fora do Brasil. Passou um tempo, me deu a louca que precisava de uma tattoo de qualquer jeito. Então, pesquisei até encontrar quem fazia aquarela aqui. E claro que saiu Victor Octaviano e Rodrigo Tas. Via muito sobre tattoo contemporânea no geral e achei aquele universo incrível. Minha mente se abriu.

No final, consegui marcar com o Rodrigo Tas. Ele foi meu primeiro tatuador e me proporcionou uma experiência muito boa. Comecei a gostar mais ainda do assunto. Depois acabei tatuando com o Victor Octaviano e o Victor Montaghini, a última com Maxwell Alves. Praticamente fechei o braço haha.

Ali, já tinha passado pela minha cabeça que meu novo hobbie poderia virar trabalho, mas não dei muita importância, achava que não desenhava o suficiente. Depois de um amigo começar a tatuar e me incentivar, comecei a ver possibilidade, já que ele tinha me falado que a maioria dos tatuadores são “copistas” e que se eu não desenhava tanto, pelo menos tinha boas ideias. 

Decidi que ia investir nessa área. Primeiro, me matriculei num curso de desenho que sempre tive vontade de fazer e tinha chegado a hora. Acho que ele foi essencial para minha trajetória, já que não estava acostumada a desenhar. A Catarina Gushiken, artista e professora, sempre me incentivou e me guiou no processo criativo. Resolvi então fazer uma página no face pra divulgar meus desenhos.

Não sabia muito por onde começar, então fui falando com os poucos tatuadores que eu já tinha algum contato. Lembrei do Rodrigo Tas, porque ele sempre tinha sido muito legal e atencioso comigo, pedi umas dicas, e para minha surpresa ele perguntou se eu queria ser aprendiz dele. Não acreditei quando li a mensagem. Fiquei muito feliz que ia poder aprender com aquele grande profissional. Tudo parecia que estava conspirando para que desse certo. Todos me apoiaram nessa decisão: meus amigos, minha família, colegas. Foi aí que tatuei as primeiras cobaias, os amigos – que devo muito, já que sem eles isso não seria possível.

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-04

“Meu foco é a criação, é transformar a ideia do cliente numa imagem com a minha linguagem e estética. Não vai ser muito literal, já que curto muito o abstrato e trabalhar com a subjetividade das pessoas. Transformar uma música, uma história, um poema, sempre tentando sair do comum. Eu sempre me inspiro mais no que eu vejo menos sendo feito. Acho que eu estou numa fase intensa de aprendizado. Aprender a aplicar a tinta na pele e a trabalhar nesse processo criativo.” 

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-03

FTC: Como você define a sua arte? 

Em relação ao meu estilo, acho que ainda não está bem definido, mas acabo denominando como figurativo abstrato, pois curto a ideia de representar as coisas de forma não literal para o desenho ter diferentes interpretações. Atualmente exploro bastante linhas, geometria, texturas e grafismos. E com a tattoo descobri que curto trabalhar com a subjetividade, prefiro que as pessoas me passem o que querem através de palavras, mais do que com imagens, assim tenho mais liberdade para desenvolver o conceito proposto.

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-05FTC: Com o que você se inspira? 

Eu acho que inspiração vem do que você está vivenciando, do dia-a-dia. Tudo pode gerar inspiração: cada experiência nova, cada cheiro, cada gosto, cada som. Tudo isso influencia a sua arte e a maneira como você se expressa. Em relação a tatuagem, me inspiro basicamente com imagens, tudo que eu vejo é traduzido de alguma forma na tattoo. Na pele, é um pouco diferente porque é uma criação em conjunto, não é só a sua visão ou só o que você sente, são duas pessoas criando algo. Alguns consideram como arte, outros não, para mim é uma das mais belas, pois não é egoísta e principalmente porque está viva e eternizada até o final da vida daquela pessoa.

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-06

FTC: Qual foi sua primeira tatuagem em um cliente?

Foi um hashi com uma pimenta em uma amiga, que agradeço muito, já que não éramos tão próximas – mas ela super confiou no meu potencial. Eu não cheguei a me auto tatuar, mas pensei na possibilidade caso não tivesse candidatos.

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-07

FTC: 3 sites que definem um pouco de você. 

Pinterestpois utilizo muito como pesquisa de referências para tattoo; Ignantgosto principalmente da sessão fotografia e o Tattrxtenho um apego porque foi minha principal fonte quando comecei a gostar de tatuagem contemporânea. E claro o Follow the Colours, não perco nenhum Tattoo Friday!

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-08

FTC: Uma frase que vc carrega para a vida. 

Pra mim é mais um lema do que uma frase. “Buscar e evoluir sempre!”

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-09

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-10

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-11

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-12

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-13

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-14

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-15

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-16

Aline-Watanabe-tattoo-friday-follow-the-colours-17

“A tatuagem é importante pra mim. Ela tem significado e está trazendo muito sentido pra minha vida. Como eu acho esse ato grandioso, o de poder marcar a pele de alguém com a minha arte, e como eu sou grata por tudo isso que está acontecendo!” 

No Facebook: /alinewata. No Instagram: @alinewata.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


Você também poderá gostar de:

Comentários