Leandro Lesak, também conhecido como Leandro Cinico, é designer, ilustrador autodidata e faz parte do grupo de precursores do graffiti em Curitiba. Em 2004, Leandro começou a experimentar a técnica de stencil ao seu trabalho e, mais tarde a pintura de telas e desde então vem aperfeiçoando seu estilo. Em 2008, foi um dos fundadores do espaço de arte “A Casa” em Curitiba. É um dos artistas integrantes do Projeto Motion Layers, que une street art e cinema, responsável pela famosa pintura Ray Charles no centro de Curitiba.

Mas foi somente em 2013 que ele fez sua primeira tatuagem. No início de 2017, em parceria com o Estúdio Teix, entrou no espaço como aprendiz sob orientação de Marco Teix. Seu trabalho representa a evolução técnica do artista curitibano, cujas obras são reconhecidas por apreciadores de street art. Leandro mistura referências em pinturas, colagens digitais, instalações e stencils, tanto que hoje se dedica especialmente à pintura e a tatuagem. Seu objetivo é levar o mesmo efeito dos seus murais e quadros para a pele dos clientes. Confira nossa entrevista com o artista!

ENTREVISTA COM LEANDRO CINICO

FTC: Como você define a sua arte? Quem é Leandro Cinico? 

Minha arte é minha vida, cada trabalho tem uma parte mim. É o que eu mais gosto fazer. Desenho desde pequeno e a arte faz parte de um processo evolutivo pessoal e artístico. Eu venho do graffiti e do design e tento levar a bagagem que eu adquiri nessas áreas para o meu trabalho com tatuagem. Resumindo, eu basicamente mudei o suporte dos muros para a pele. Grande parte da minha evolução como artista de tattoo devo ao meu orientador Marco Teix, sua esposa a Jô e o estúdio galeria Teix que acreditaram no meu potencial como artista. Graças a eles o meu processo técnico e artístico tem evoluído constantemente, sou eternamente grato aos dois! Eu não poderia estar lugar melhor. Muito obrigado!

Imagem: Balina Shoot You

E também aos contatos e amizades que fiz com grandes artistas da tattoo que fazem parte do estúdio, artistas brasileiros e estrangeiros que passam pelo estúdio como guests. Todos esses fatores me agregaram conhecimento, técnica e inspiração. Minha família, meus pais, minha esposa e filha, que sempre me ajudaram e estiveram do meu lado. Um obrigado em especial aos amigos Marcos Souza (Pioca) meu melhor amigo, amigo de infância, Neto (Rotina), Fred Freire (Krop), Fabio Alves a.k.a Selva, Márcio Miguel, Arthur Lopes, Tavares, Zé, Tadeuzinho, Justen Jr, Willan Wyes e minha prima Malu essas são amizades que levo pra vida toda, amigos que sempre estiveram do meu lado e me apoiaram, valeu! Enfim, tudo isso é um grande conjunto de fatores que nos faz crescer como pessoa e como artista.

FTC: Com o que você se inspira? Seus temas na tattoo/ilustras.

Boa parte da minha inspiração vem das ruas. Em todo o meu trabalho tem um pouco da rua, do graffiti, do design e das minhas raízes. Também busco referências em artistas contemporâneos brasileiros, mas principalmente estrangeiros.

FTC: Qual foi sua primeira tatuagem em um cliente?

Foram 3 cactos, foi um desenho meu, bem diferente do que tenho feito atualmente. Mas a primeira tattoo foi em um amigo o Pedrinho, grande Pedro (Snoop), amigo do graffiti. Sou muito grato a ele pela coragem e confiança. Valeu cara! E ao José (Zé), que sempre gostou do meu trabalho e por incentivo dele comecei a tatuar. Ele chegou um dia em mim e falou “pô, bem que você poderia fazer uma tattoo de um desenho seu em mim”. A partir dai, comprei minha primeira máquina e por aí foi. Valeu Zé! Sou grato a muitas pessoas que fazem e fizeram parte da minha vida, que acreditaram meu potencial e foram voluntários dos meus primeiros trabalhos. São tantos que não daria para citar cada um, mas em especial os que tem os meus primeiros trabalhos de tattoo. Obrigado a todos!

FTC: Conte mais sobre o uso das cores!

Eu gosto muitos de trabalhar com cores. Minha paleta vem do meu trabalho nas ruas, especificamente de um personagem que desenvolvi (um pássaro). Que são 10 no total. Em 2004 comecei a fazer stencil. Gosto de fazer stencil, acredito que não seja uma técnica extraordinária, mas tento fazer com que seja. Busco algo que seja meu e quanto mais complexo for o stencil, melhor. Comecei a acrescentar as cores do pássaro em meus stencils e fui criando a minha identidade.

Logo quando ingressei na tatuagem, quis aplicar parte do meu trabalho das ruas na pele, buscando um trabalho mais autoral. Fiz um estudo de composição e reduzi para 5 cores que venho utilizando em meus trabalhos. Particularmente gosto muito de um dos meus trabalhos mais recentes que é uma girafa. Ele diz muito sobre meu trabalho “das ruas para a tattoo”.

FTC: E seu processo criativo?

Eu gosto de me desafiar e tento sempre complicar o que vou tatuar ou pintar. Tento sempre buscar algo mais complexo, sair daquela coisa rotineira. Acho que é a melhor maneira de evoluir nos meus processos de criação e execução. Eu utilizo o processo digital para elaborar minhas peças, basicamente o mesmo processo de desenvolvimento dos stencils.

Eu curto muito trabalhar com animais, pássaros principalmente. Eu escolho algum que me agrada e assim começa o meu processo. Sou extremamente metódico e perfeccionista com meu trabalho, tenho todo um processo de organização e execução, mas cada trabalho é um novo desafio.

FTC: O que tem lido, ouvido, visto, quais são os artista preferidos no momento?

Estou lendo “Assim falava Zaratustra”. Gosto bastante de Drummond, também. Gosto de ouvir rap, jazz, entre outros estilos musicais, mas basicamente são esses dois. Tenho visto algumas séries: True detective (recomendo), Mr Robot, entre outras. Artistas bons são tantos!

No grafitti, primeiramente, Os Gêmeos, que fazem parte do patrimônio do graffiti nacional, Banksy e outros artistas do hip hop. Da tattoo, tenho gostado de uma artista que conheci a pouco tempo, Carolina Caos que tem um trabalho magnifico, Kofi Deuxmille, Artem Korobov que tive o grande prazer de conhecê-lo em sua passagem pela Teix. Estes em especial são grandes artistas para mim.

FTC: E agora, o que vem pela frente?

Bom, rs… Vem muita coisa! Faz só um ano e meio que estou tatuando, então é tudo muito recente, ainda tenho muito o que aprender e tudo isso faz parte de um processo de evolução que não para. Estou buscando uma linha cada vez mais autoral, então o que posso dizer é que vem mais tattoo pela frente. Desenhos e mais desenhos! Às vezes penso que poderia ter começado a tatuar antes, mas tudo no seu tempo. Todo o meu processo de evolução artística e pessoal me trouxe até aqui, mas ainda tenho muito chão pela frente!

UM POUCO MAIS DA ARTE DE LEANDRO CINICO

Leandro Cinico é um dos artistas integrantes do Projeto Motion Layers e responsável pela famosa pintura de Ray Charles no centro de Curitiba.

Leandro já participou de eventos como: Planet Reef (2007), The Green Project (2008), Mercado Mundo Mix (2008), Morar Mais por Menos (2010), Exposição Caixa Cultural (2010), Skate Jam Curitiba (2012), exposição individual Galeria Lúdica (2013), Comercial de Aniversário de Curitiba 320 anos (2013), Campanha Colorir a vida RPC (2015) com seus graffitis, pinturas e artes. 

Acompanhe o incrível trabalho de Leandro Cinico no Instagram.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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