Foi pensando na história de vida de Frida Kahlo que a artista visual e fotógrafa Camila Fontenele de Miranda iniciou o incrível projeto ‘Todos podem ser Frida’ em 2012. A ideia, que fala sobre autoaceitação, diferenças, o quanto é bonito se permitir, virou tema de intervenções e exposições (coletivas e individuais) – que fazem um enorme sucesso pelo Brasil e pelo mundo.

Agora, depois de cinco anos de existência, o Todos Podem ser Frida tem como objetivo virar um livro e criar uma nova ponte com o público. A publicação vai mostrar todo o processo de idealização, os ensaios, a importância da desconstrução do gênero, a inversão de papéis, as conexões entre a arte da pintora mexicana e o comportamento social, além de afirmar que a imagem e a força de Frida está presente em várias nuances do ser humano.

O financiamento colaborativo está sendo realizado através da plataforma ‘Catarse e durará cerca de 60 dias. Ao colaborar, as pessoas receberão recompensas exclusivas que variam desde o próprio livro impresso até postais, canecas, cadernos e impressões limitadas e assinadas pela artista.

Camila Fontenele é formada em Publicidade e Propaganda mas trabalha hoje como artista visual e fotógrafa profissional. A artista contou um pouco mais ao FTC sobre como surgiu a ideia do livro e quais seus próximos passos. Confira:

Camila Fontenele e Todos Podem ser Frida

“Em 2012, numa sala sem janelas de uma agência de publicidade e propaganda, nasceu o Todos Podem Ser Frida. Eu me lembro como se fosse hoje, a mesa em que eu trabalhava era tão alta que ninguém podia me ver, e naquela quase invisibilidade as cores de Frida Kahlo me causaram ‘tonturas gostosas’ e me fizeram delirar. Aos poucos fui juntando as referências e comecei a criar alguma coisa que não compreendia por completo.

Agora, em 2017, o projeto completa 5 anos de existência e o antes, os primeiros passos, parecem estar mais vivos do que nunca. Talvez porque no dia em que o meu trabalho foi publicado pela primeira vez no jornal da cidade (Sorocaba) eu tive que comprá-lo com o cartão de crédito, pois meu salário estava atrasado. Porém, no terminal de ônibus com aquele monte de papel na mão, mesmo não tendo dinheiro para pagar as contas mensais, me senti como se estivesse flutuando; eu queria gritar – ‘É meu trabalho no jornal, alguém acredita em mim!'”.

“Desde então, foram altos e baixos, ainda é assim. Parece que o tempo todo estou em uma corda bamba onde não só o vento sopra, algumas pessoas e situações tendem a me derrubar. Eu subo de novo e continuo me equilibrando.

Trabalhar com arte é assim, a gente acredita que precisa viver em uma montanha russa. E foi juntando todas essas memórias, medos, inseguranças, alegrias, conexões, tudo que há de mais contraditório, que eu resolvi escrever um livro.”

“Pedir não é fácil, pois aprendemos que não somos merecedores de tal ato, que isso vai mexer com algo relacionado a arrogância ou que é vergonhoso. Veja bem, para realizar esse meu sonho de publicar um livro eu senti que deveria fazer uma campanha de financiamento coletivo e estou aprendendo a desconstruir todos esses sentimentos pré-fabricados pela sociedade, onde praticamente você nasce fracassado, principalmente quando escolhe uma profissão que não se encaixa no ‘padrão’.

Pra mim, o livro já é físico e cada vez mais real, apesar de ter um árduo trabalho de comunicação com o público, amigos e familiares. Pedir, é isso que estou fazendo. Utilizo o humor, estratégias de mídias sociais, minhas fotos, meus gatos e o mais importante, minha humanidade.

Hey amigo, podemos correr juntos atrás do ônibus e bater na lataria para que o motorista nos espere, sabia?”

“Publicar este livro é poder sentir o quentinho de quem vai ler o meu avesso, e eu me sinto realmente madura para chegar a esse ponto, para falar abertamente como o ‘Todos Podem Ser Frida’ mudou a minha ligação com as pessoas, como me ensinou a respeitar aquele que é diferente de mim. Frida Kahlo me salvou.

As pessoas, aquelas que correm para o trabalho às 4h da manhã, que chegam tímidas, que sabem contar alguma história de vida com o olhar, elas me salvaram também. E agora estamos todos conectados por um fio invisível; tendo atos, como regar o pé de manjericão pela manhã ou ajudando alguém ferido, e isso é mudar o mundo“.

Como apoiar o livro Todos Podem ser Frida?

Curtiu? A campanha de Camila fica ativa até o dia 07 de julho de 2017. Até a data final, caso a meta não for atingida, o dinheiro será devolvido. Você pode colaborar com a quantia que cabe em seu orçamento e receber em troca algumas recompensas, como: caneca personalizada, cartões postais, prints impressos em papel especial ou ensaios fotográficos e intervenções, no caso de apoio por parte de empresas e associações.

O livro será bilingue (português-inglês) e pra quem mora fora do Brasil, também rola apoiar através de dois modos.

Apoie! E ajude esse super projeto a virar livro!

Todos podem ser Frida livro

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Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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