Aline Cruz, ou Lila Cruz (@Colorlilas), nasceu em Salvador (BA), é jornalista por formação e também trabalha com ilustração e quadrinhos. Editou, com mais cinco mulheres, a Revista Farpa, que recebeu cerca de 600 trabalhos e selecionou e publicou 99 artistas de todo o país.

Já realizou duas exposições solo e fez a curadoria de uma exposição de artistas mulheres em Salvador. Publicou seu primeiro zine em 2013, e em 2015 lançou o Projeto Quadrada, com três revistas. Depois disso, acabou montando sua própria editora de mesmo nome, a Quadrada, que se tornou sua marca de produtos ilustrados. Atualmente Lila mora em São Paulo.

“Eu posso me considerar oficialmente ilustradora, tipo trabalhando com isso mesmo, tem uns quatro anos. Antes eu fazia quadrinhos também, meus fanzines, mas meu trabalho oficial sempre tinha sido como jornalista, inclusive trabalhando com jornalismo econômico, além de escrever pra revistas. Só me senti segura para me chamar de ilustradora tem pouco tempo”.

Aline conta que desenha desde criança, mas que nunca foi uma “desenhista assídua” porque gostava mesmo era de escrever e cantar. “Eu desenhava no tempo livre, como diversão, de uma maneira bem preguiçosa, e acho que a preguiça era meu maior empecilho pra seguir na carreira. Com o tempo fui percebendo que era o que eu queria fazer profissionalmente, então passei a levar mais a sério, e à medida que fui pegando trabalhos também fui ficando mais exigente com o resultado das minhas produções”.

Hoje, Lila Cruz é exigente, meticulosa com o que faz, acabou se encontrando como ilustradora em tempo integral e ainda tem uma loja virtual de produtos ilustrados incríveis que trazem objetos autorais. Ela completa: “Paciência com o meu trabalho é uma coisa que só conquistei depois dos 30”. Confira a nossa entrevista com a artista para saber um pouco mais sobre suas inspirações e conheça de perto um pouco mais de seu inspirador trabalho:

FTC: Lila, hoje, qual a influência das cores e mulheres nos seus trabalhos? E os temas abordados, principalmente pelo seu Instagram? 

Acredito que as artistas mulheres não só me influenciaram como me ajudaram a definir o estilo do meu trabalho hoje. Eu tinha uma personalidade que não conseguia passar para os meus quadrinhos, e foi estudando as artistas que admiro que entendi como usar as cores que gosto e trabalhar os temas que curto trabalhar. O Instagram acabou sendo o lugar para criar uma identidade, através do processo de experimentar os traços e estilos que curtia e decidir aos poucos onde eu me sentia mais confortável. Os temas na real ficam rondando minha cabeça…feminismo, autocuidado, política e muitas das questões que observo quanto a ser uma nordestina, baiana fora de Salvador. Na real falo muito comigo mesma nas minhas postagens.

FTC: O que é arte para você e como você definiria a sua arte hoje? 

Arte pra mim é uma forma de atingir e contribuir para a melhora da vida das pessoas que a consomem. Eu gosto de ter um propósito no que faço. Mesmo que precise fazer a parte comercial do trabalho, tento levar calma, questionamento, beleza, um universo de sensações para quem consome meu trabalho. Especialmente por ser uma pessoa ansiosa, eu sei como podemos ter influência na melhora do cotidiano das pessoas, especialmente no que diz respeito à saúde mental. Hoje a minha arte tem basicamente esse propósito: levar sensações que contribuam de alguma forma com a vida das pessoas.

FTC: O que tem lido, ouvido, visto, quais são os artista preferidos no momento?

Estou num desafio para ler mais autores negros em 2019 e estou amando! Acabei de ler Hibisco Roxo, da Chimamanda, e agora estou lendo Octavia Butler, Kindred. Tenho ouvido uma infinidade de coisas, porque sou obcecada por música: Rihanna, Artic Monkeys, Harry Nilsson (culpa de Russian Doll, do Netflix), Moby, No Doubt, The Runnaways…é muita coisa e juntas elas não fazem nenhum sentido. rs

FTC: Quando viu que dava pra viver disso, ou não dá? Quais as dificuldades nessa carreira?

Olha, eu seria mentirosa se estivesse dizendo que dá pra viver SÓ de quadrinhos ou SÓ de ilustração. Acho que é uma questão de fazer uma série de coisas juntas: eu ilustro livros, revistas, também tenho uma loja virtual, participo de eventos, dou aula e participo de palestras. É uma mistura e a renda acaba sendo composta por tudo isso junto. A dificuldade é justamente essa – cada grana tem um prazo pra chegar, a gente tem sempre que prospectar cliente, lidar com burocracias, se divulgar, se divulgar muito. Isso é cansativo pra caramba, e geralmente o resultado do processo de divulgação e prospecção não é imediato (coisa que muita gente quer que seja, em tempos de internet e redes sociais hiper-valorizando a fama como meio de sustento). Não tem nada de glamouroso.

FTC: O que você gostaria de fazer que ainda não fez na sua carreira? 

Eu quero gravar meu cd (nada a ver com ilustração. hahaha). E fazer mais capas de livros, amo fazer capas. Também amo livro infantil, quero trabalhar mais com isso, com certeza.

FTC: E agora, o que vem pela frente?

Rapaz, que pergunta difícil. haha. Eu espero que bastante trabalho legal. E muito crescimento na minha loja virtual também.

UM POUCO MAIS DE LILA CRUZ – COLORLILAS

Acompanhe o incrível trabalho de Lila Cruz em seu blog, FacebookYouTube e Instagram. Em sua loja virtual, você encontra seus lindos produtos ilustrados!

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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