Newton Mesquita, nascido em 1949, é um artista contemporâneo multifuncional. Pintor, desenhista, cenógrafo, fotógrafo e escultor brasileiro, gosta de usar a luz como principal elemento para intervir em suas obras. Em seu quadros, que refletem temas urbanos e da cultura de massa, um elemento tão básico atua como ator principal.

“Se você apaga a luz não vê mais nada. A luz é tudo, ela que define as formas, a perspectiva, os volumes, as texturas”, explica. Newton considera a luz essencial, capaz de transformar a arte diante dos nossos olhos. Para ele, isto parece estar esquecido.

Paulistano, nascido no Sumaré, onde vive hoje em sua casa ateliê, o artista também guarda boas memórias de outros lugares onde morou, como a região do Brás. Sobre lá, resgata com carinho memórias da Zona Leste de São Paulo, de quando tinha nove anos. “O Brás que eu vivi era o Brás dos italianos, dos operários. O local influenciou muito, muito, na minha visão do próximo, do ser humano”, diz.

Cresceu rodeado pela comunidade italiana do bairro e pela própria língua do país europeu. As cantinas italianas começaram a se propagar na época e tornaram-se marca registrada do Brás. Entre elas, a chamada La Bohème – assim como a ópera de Giacomo Puccini. Foi para onde Newton fez um de seus primeiros trabalhos sob encomenda.

A oportunidade surgiu a partir de um convite do próprio dono da cantina, que também era morador dali, onde todos viviam como uma grande comunidade, uma grande família. Na época Mesquita já se arriscava nos desenhos e conta que aprendeu vendo as ilustrações de Darcy Penteado, Wesley Duke Lee e Aldemir Martins nas revistas.

Coincidentemente, na mesma semana em que recebeu a proposta da cantina, o cine Bijou, antigo cinema próximo à praça Roosevelt, estava com a ópera La Bohème em cartaz. Newton então perguntou ao porteiro se poderia pegar emprestado os cartazes que estavam sendo usados para a divulgação do espetáculo, expostos nas antigas vitrines dos cinemas.

Tirou fotocópias, o que hoje poderia ser resolvido facilmente com fotos no celular, e usou essas imagens do filme como referência para sua primeira encomenda como artista.

As obras de Newton Mesquita nos encantam. A pessoa de Newton mais ainda. 

O artista tem um domínio incrível sobre a tinta acrílica e cria superfícies brilhantes, opacas, jogos cromáticos e utiliza a luz como sua protagonista. 

SOBRE SE ENCONTRAR NA PINTURA

Quando está pintando, Newton Mesquita gosta de escutar música clássica porque elas não tem letra, o que ajuda a manter sua concentração. A música é algo que faz parte da formação do artista, já que ele tocava profissionalmente antes de se dedicar exclusivamente à pintura. Ele teve aulas de piano e aprendeu a tocar porque era uma paixão de seu pai. Bill Evans é sua grande referência de piano, além de Tom Jobim, João Gilberto e amigos como Nelson Ayres, Paulinho da Viola. Frank Sinatra é para ele o ‘Picasso da música’.

Em suas palavras, a pintura é, ‘mais do que um hobbie ou um prazer, aquilo que precisa fazer diariamente’. A arte é o que o tira da cama todos os dias, para pintar, estudar técnicas, refletir. Newton explica o dilema que é ter a sorte de poder trabalhar com o que mais ama e ao mesmo tempo ser também aquilo que mais o deixa chateado e preocupado. “Eu adoro poder ter o privilégio de fazer o que eu faço”.

Detalhes do ateliê de Newton Mesquita no 1º andar de sua casa. Tivemos o privilégio de conhecer o local e impossível não se emocionar com cada objeto. 

Newton já realizou mais de 52 exposições individuais de pintura, desenho, aquarela, gravura, fotografia, objeto e escultura pelo mundo afora. 

Quando era mais jovem, sofreu um acidente de moto que causou uma lesão séria em seu braço direito. Por um tempo, o artista ficou em pânico ao pensar na possibilidade de não poder mais pintar. “Eu sonho que estou andando de moto”, diz. Desde então, abandonou o veículo motorizado, mas não perdeu a possibilidade de dedicar-se à sua principal atividade. Andar de moto era uma de sua grandes paixões, mas a pintura é sua razão de vida.

 

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Quando perguntado como definiria seu trabalho em três palavras, recorre ao mais verdadeiro clichê universal: “Eu te amo”, declara com uma risada. E acrescenta:  “A arte é a única coisa que salva, porque a arte é uma forma de amor”. 

 

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O ATELIÊ DE NEWTON É PURA POESIA

A decoração da casa ateliê de Newton conta com muitas de suas obras e de outros artistas. Acima, uma monalisa em neon em seu escritório feita por ele. Abaixo, um móvel-escultura também do artista, na sala de estar de sua casa. 

Até os lavabos do ateliê são pura inspiração (eles são sempre monocromáticos!). Com o apoio de Luciana Mesquita, sua esposa, a vida de Newton é luz, é cor, é arte, alegria!

Que tal esse jardim para descansar após pintar?

 

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Para conhecer mais o trabalho de Newton Mesquita, acesse seu site e o acompanhe no Instagram!

*Entrevista realizada em parceria com a @ACasadoArtista. 

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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