Cada vez mais, é preciso abrir a nossa mente ao mindful eating: estar consciente do corpo, dos pensamentos e das sensações, sentir os aromas, texturas e sabores dos alimentos sem julgamentos e críticas

Nós já sabemos que pensamentos, emoções e sentimentos acarretam sensações no nosso corpo e inclusive podem gerar doenças ou atenuar sintomas das mesmas, por exemplo. Nossa mente é um instrumento poderosíssimo e a usamos bem raramente, comparado com as infinitas possibilidades que nem sequer descobrimos ainda.

Nada disso é novidade. O que pouco sabemos é que nosso sistema digestivo está intrinsecamente ligado à nossa mente, de formas que, muitas vezes nem percebemos ou valorizamos. Sugiro que tente algo simples, ao ler esse texto. Imagine uma laranja cortada ao meio. Suculenta, fresca, cheia de suco e com aquela cor vibrante de verão. A boca encheu d’água? Sentiu sede?

Sensações ligadas ao nosso estômago e boca são constantemente acarretadas por nossa mente: um enjoo ao ver algo de que não gosta (fígado ou abóbora, no caso da autora desse texto) ou o famoso desejo insaciável de chocolate na TPM. Algumas pessoas emagrecem quando nervosas, outras comem compulsivamente. Uns sentem enjoo perante uma situação desafiadora, como falar em público, outros sentem “borboletas” ao ver o crush na rua.

Nossa digestão começa, na verdade, na nossa mente! Nos tempos modernos, mal temos tempo para comer. Alguns não almoçam direito, outros vivem de dieta e outros apenas não se incomodam com o que está acontecendo com sua digestão. A parcela de masterchefs, Belas Gil e Rodrigos Hilbert da população ainda é bem pequena e acredite ou não, boa parte das pessoas mal se lembram do ingeriram no dia anterior.

Para experimentar em casa, receitas mais saudáveis: beterraba assada com azeite, sal e alho

“Você é o que você come”, costumamos ouvir de nutricionistas e blogueiras fitness. Será mesmo? Será que então mal nos conhecemos e lembramos de quem somos? Pode apostar que sim! O mundo contemporâneo não nos preparou para este estilo de autoconhecimento.

Para mudar esse cenário, podemos adotar uma postura de maior curiosidade perante a indústria alimentícia, nossos hábitos alimentares e ainda buscar nos conhecer melhor. Uma espécie de vigilância gastronômica pode funcionar, além, de claro, consultar um nutrólogo e/ou nutricionista.

Os franceses, por exemplo, possuem hábitos que podem nos ajudar nesse processo, como realmente se desligar do “mundo externo” na hora de se alimentar. Já vimos diversas vezes, em filmes franceses, pessoas tomando café, um vinho ou comendo queijos e croissants sem estarem ligados ao celular. É mais ou menos isso. Talvez com um pouco menos de charme, já que começaremos esse novo hábito de casa mesmo e não nas ruas de Paris.

Mas aqui seguem algumas dicas para se alimentar melhor (e de forma mais atenta): 

MINDFUL EATING

– Sente-se à mesa de uma forma confortável;

– Se alimente mais devagar e pratique mindful eating (a ideia é dar mais atenção ao que colocamos na boca – e, assim, aproveitar uma refeição de forma mais saudável e saborosa);

– Delicie cada mordida: preste atenção no cheiro, na temperatura e na textura da comida;

– Feche os olhos em algumas garfadas para estar mais presente;

– Se livre de distrações como TV ou jogos de videogame na hora das refeições;

– Teste novas receitas e siga perfis como do Underchef e da Elisa no Youtube;

-Em tempos de isolamento social, reuna amigos (através de Facetime ou Whatsapp) para as refeições caso se sinta sozinho (a); 

 

A prática do comer atento (mindful eating) pode se potencializar e gerar alegria, o prazer em usufruir daquele momento, da comida que escolheu, do seu preparo e tudo que estiver envolvido. Com a frequência você transforma sua relação com a comida e a forma como se alimenta.

Jornalista, pós-graduanda em Práticas Contemplativas e Mindfulness pela PUC-Rio. Aquariana, viciada em café e podcast, acredita na humanidade mas tem fortes dúvidas sobre Deus.

Gabriela Pimenta – já escreveu posts no Follow the Colours.


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