primeira tatuadora EUA Maud Wagner

A gente sempre traz no #tattoofriday, a seleção dos melhores estúdios, melhores tatuadores do Brasil e do mundo, além de entrevistas bacanas, curadoria de imagens para te inspirar e notícias relacionadas ao assunto. Mas você já parou para pensar a história por trás das tatuagens?

Aqui neste post completo, falamos sobre as 50 curiosidades interessantíssimas sobre o assunto. Tem MUITA coisa legal. Mas hoje, vamos te inspirar com uma pessoa em especial. O nome dela é Maud Wagner, a primeira tatuadora do sexo feminino (1904) a ficar conhecida nos Estados Unidos. Fomos um pouco mais a fundo em sua vida e descobrimos alguns fatos incríveis sobre essa super mulher. Confira:

primeira tatuadora EUA Maud Wagner

1- Maud Stevens Wagner nasceu em Kansas, em fevereiro de 1877. Antes de ser tatuadora, ela era artista de circo (trapezista e contorcionista) e trabalhou em diversos espetáculos que viajavam o país;

2- Em 1904, em uma dessas viagens para apresentação como trapezista, ela conheceu Gus Wagner, ​​um tatuador que se promovia como “o homem artisticamente mais marcado na América”. Gus tinha 264 tatuagens e quando a viu, ficou encantado. Maud aceitou um encontro romântico proposto por ele, caso Gus a ensinasse a tatuar. Alguns anos mais tarde eles se casaram;

3- Juntos, eles tiveram uma filha, Lovetta, que começou a tatuar quando tinha nove anos! Ao contrário de sua mãe, porém, Lovetta não se tornou uma “cobaia” para testar o trabalho de seu pai. Maud havia proibido o marido de tatuar a filha. Anos depois, Gus morreu e Lovetta decidiu que, se ela não podia ser tatuada pelo próprio pai, ela não iria ser tatuada por nenhuma outra pessoa. Mesmo assim, ela seguiu os passos da família: virou tatuadora, mas nunca teve uma tattoo em seu corpo. Lovetta fez sua última tatuagem em 1983, em um dos artistas mais queridos de Sailor Jerry, Don Ed Hardy;

4- Como uma aprendiz de seu marido, Maud aprendeu a técnica tradicional chamada de “handpoked”, no qual o desenho é criado ponto por ponto sem o uso de máquinas, totalmente artesanal, mesmo depois de já terem inventado a máquina elétrica. Ela então começou a testar as técnicas em sua própria pele, além de ter sido tatuada pelo seu marido;

5- Juntos, os Wagners foram os dois dos últimos artistas que trabalharam com a técnica tradicional feita à mão nos Estados Unidos, sem o auxílio de máquinas modernas. Maud Wagner foi então, a primeira mulher reconhecida como tatuadora nos Estados Unidos. Gus Wagner, o primeiro tatuador a usar uma máquina elétrica;

primeira tatuadora EUA Maud Wagner

6- Depois de deixar o circo, Gus e Maud viajaram por todo os Estados Unidos, trabalhando como tatuadores e como tatuados. Ambos como “atrações” em casas de shows (freak shows e burlesque), feiras e salões de jogos;

7- Os dois foram os responsáveis por levar a arte na pele para outros lugares como o interior dos Estados Unidos, longe das cidades da costa americana e grandes centros;

8- Infelizmente não há muitas fotos sobre o trabalho de Maud. As tatuagens dela eram típicas da época: ela mesmo tinha desenhos patrióticos e animais na pele, como macacos, borboletas, leões, cavalos, cobras, árvores, mulheres, além de ter seu próprio nome no braço esquerdo;

9- A história cultural da tatuagem em mulheres é complicada. Na metade do século XX, as que tinham arte no corpo eram vistas como atrações circenses, símbolos de desvio e de rebeldia, e eram colocadas até em exposição. O progresso enorme foi alcançado após os avanços tecnológicos conquistarem o mundo. A ideia tomou uma outra forma quando as pin-ups começaram a se tatuar. Mesmo assim, eram vistas (ainda) como rebeldes, mas também, como mulheres de atitude, dando espaço para a feminilidade e para o feminismo, ao “tomarem conta de seu próprio corpo”;

10- Maud faleceu em 30 de janeiro de 1961, aos 83 anos, sem ter visto a queda do preconceito na tatuagem, coisa que tanto almejava. Mesmo assim, ela deixou um fantástico legado para a história.

primeira tatuadora EUA Maud Wagner

primeira tatuadora EUA Maud Wagner

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Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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