Seu primeiro livro chegou ao Brasil após ela ganhar fama internacional. Conheça o trabalho de Rupi Kaur. 

“nossas costas

contam histórias

que nenhum livro

tem lombada

para carregar

– mulheres de cor.

Essa é uma das frases de Rupi Kaur, poeta indiana que mora no Canadá. Chegou ao Brasil o seu primeiro livro, intitulado Outros Jeitos de Usar a Boca.

A publicação ficou por 40 semanas na lista de mais vendidos do New York Times e ultrapassou a marca de 1 milhão de exemplares. Rupi havia lançado o seu livro em 2014, de maneira independente, sob o título de Honey and Milk.

O sucesso de sua obra se deve principalmente pela delicadeza da autora. Seus poemas são francos e diretos, falam aquilo que muitas vezes não conseguimos exprimir. A maioria deles são relacionados a temas íntimos das mulheres, como relacionamentos, abusos, decepções, amores, cura, autoestima e feminilidade.

O livro também recebe algumas ilustrações feitas pela própria autora.

Rupi é muito ativa nas redes sociais, principalmente no Instagram, onde posta com frequência. Por isso, é denominada parte da geração de Instapoets, pessoas que alcançam milhares de seguidores nas redes por postarem seus poemas.

Ela também declama suas poesias como spoken word, que é uma forma específica dos artistas enfatizarem as palavras criando um ritmo para elas.

Antes de seus poemas, entretanto, a jovem de 25 anos ficou mundialmente conhecida por outra questão. Em 2015, ela postou uma foto no Instagram em que era visível uma mancha de sangue em sua roupa. A foto foi banida duas vezes pela rede social e fomentou um debate a respeito do corpo feminino e da menstruação como um tabu.

“se você nasceu com a fraqueza para cair você nasceu com a força para levantar”

A escrita de Rupi só tem um símbolo de pontuação, uma barra que representa o ponto final.  Ela também escreve sempre com letras minúsculas. Segundo ela, é uma homenagem à escrita punjab, cultura da qual faz parte.

O nome original da sua obra, Milk and Honey, também é uma referência à esse povo, mais especificamente ao massacre que sofreram. Rupi diz que apesar de tudo, as mulheres saíram desse terror transformadas, suaves como o leite, mas densas como o mel.

“quero pedir desculpa a todas as mulheres

que descrevi como bonitas

antes de dizer que eram inteligentes ou corajosas

fico triste por ter falado como se

algo tão simples como aquilo que nasceu com você

fosse o seu maior orgulho quando seu

espírito já despedaçou montanhas

de agora em diante vou dizer coisas como

você é forte ou você é incrível

não porque eu não te ache bonita

mas porque você é muito mais do que isso”

Acompanhe mais poesias de Rupi Kaur pelo Instagram e visite também o seu site.

Mariana é jornalista e comunicadora. Adora descobrir novos lugares, explorar a cidade a pé e andar sem pressa. Se interessa por viagem, cultura e tudo o que é novidade. Escreve um blog sobre meio ambiente, sustentabilidade e consumo consciente. Também se dedica a cozinhar, como forma de prazer e arrisca novas receitas no tempo livre.

Mariana – já escreveu posts no Follow the Colours.


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