Simples, atemporal, exclusivas, feitas no Brasil, de maneira justa e sustentável. Essas foram as palavras essenciais para a estilista Gabriele Meirelles criar a Santa Costura de Todos os Panos, sua marca slow fashion de vestuário feminino que carrega identidade e atitude em todas as suas peças.

Gabrielle desde o início se preocupa em unir conforto, estilo, conceito e design marcante, ao mesmo tempo, suas peças são básicas e inovadoras. Com sede em Campinas, interior de SP, hoje ela conta com uma estrutura sólida e a ajuda de uma pequena equipe, oferece uma experiência de compra diferenciada e consegue mostrar exatamente como são feitas suas roupas.

A última ideia dela foi se unir a uma ONG (a Mar Limpo), que cuida da limpeza dos oceanos no litoral norte paulista, com o objetivo de utilizar lonas e redes descartadas no mar como matéria prima para suas criações. A coleção cápsula traz roupas e acessórios transformados em peças com identidade, história e claro, muito estilo. Além disso, todo o valor arrecadado com as vendas é revertido para o projeto.

Conversamos com Gabrielle para saber um pouco mais sobre suas inspirações. Confira entrevista:

FTC: Como surgiu a ideia da coleção cápsula em parceria com a ONG?

Mais do que uma ferramenta de expressão, a moda carrega identidade, significados e, principalmente, estilos e propósitos de vida. Foi pensando nisso que eu decidi unir a minha marca à Mar Limpo, para reutilizar esses resíduos e reaproveitá-los, apostando na lógica do upcycling.

As peças foram desenvolvidas unindo a lógica do reaproveitamento proposta pela ONG à filosofia da própria Santa Costura, que preza por uma experiência diferenciada e que agregue sentido entre todas as pontas do processo, da produção ao cliente final.

Minha ideia sempre foi maior do que apenas vender roupas. Quero oferecer inovação e transparência de discurso com nossas peças, produzidas respeitando a mão de obra e pensando sempre no meio ambiente sem perder a identidade. E quando o Carlos (fundador da Mar Limpo) veio falar comigo, topei na hora. Criar a partir de uma lógica sustentável está na nossa essência.

FTC: Como aconteceu esse encontro?

Luiz Carlos Mosso Cabral, o Capitão Cabral e fundador da ONG (2008), conheceu o meu trabalho por meio de um colaborador da Organização, que era meu colega. Ele então me procurou e eu abracei o projeto, já pensando em ideias bem legais de como transformar aquelas materiais, realmente agregando valor aos resíduos.

O Capitão Cabral sempre foi apaixonado pelo mar e, depois de se mudar para a praia, passou a ficar cada vez mais frustrado cada vez que encontrava sacos plásticos, latas de refrigerante, e garrafas pets descartadas na água ou na areia. O seu trabalho sempre foi muito respeitado.

A Mar Limpo retira estes resíduos, diminui o impacto ambiental e os transforma em roupas e utensílios para que isso ajude a ampliar sua área de atuação e criar campanhas educativas junto à população de todo o litoral com ênfase nas escolas, bem como em ações com turistas.

FTC: Quais são as peças destaque que podemos encontrar nessa coleção-cápsula? 

Pantacourts e blazers feitos a partir de lonas descartadas de barcos, além de bolsas nas quais a matéria prima utilizada são as redes de pesca jogadas no fundo do mar e abandonadas na areia. Tudo em pequena quantidade.

Além de adquirir uma peça única, a pessoa adquire uma história. Nós não reformamos as redes, por exemplo. Se alguma tem um furinho ou um nó, continua assim. É de uma beleza incrível!

A Mar Limpo reaproveita os resíduos encontrados nos mares e praias, mostrando o impacto negativo que causam na natureza e revertendo os benefícios que podem trazer para a sociedade em forma de produtos.

Bolsa exclusiva SCTP + Mar Limpo. Feita a partir de lonas e redes retiradas do mar;

Confira o site da Santa Costura e todas as peças da loja online. Acompanhe a marca também no Facebook e Instagram.

Imagens: © Nathalia Fassina.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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