Produtos atemporais, feitos à mão e com a ressignificação de materiais desperdiçados. Esses são os pilares da marca brasileira de bolsas e colares Sta. Spalla que vê possibilidades até em combinações improváveis. 

Materiais que seriam desperdício de recursos e energia são transformados em lindos produtos nas mãos da jornalista Pâmela Oliveira e do designer Antonio Garcia. A dupla desenvolve bolsas e colares atemporais com o propósito de revisitar aquilo que era considerado refugo e incentivar a mudança por uma moda mais ética e sustentável.

Os fundadores da Sta. Spalla, marca slowfashion brasileira, contam que usam apenas madeira de origem legal, sem risco de extinção e certificada pelo Ibama, além de couro sempre disponível na indústria, aquele que foi feito para compensar falhas de produção ou nunca retirado do curtume pelo cliente que o encomendou, ou seja, apenas o que não gera nova demanda no mercado, ressignificando-os.

Pâmela e Antonio moram em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre, e são eles que confeccionam as peças, uma a uma. Todo o trabalho é pautado por princípios da moda consciente, desde a opção deles por materiais fiscalizados ou fora de uso até o aproveitamento das sobras da produção, dando finalidade ao que está apenas ocupando espaço na indústria. “Todo produto parado é um desperdício de recursos e energia, uma criação sem propósito, e é essa realidade que queremos mudar”, comenta Pâmela.

A dupla então busca esgotar essas possibilidades de uso, assim, a geração de resíduos é mínima. Esse compromisso também transparece na embalagem dos produtos: as dust bags que os acompanham são feitas de materiais reciclados.

Além disso, para devolver ao ambiente aquilo que ele oferece (e mais), a marca firmou parceria com a Iniciativa Verde, instituição sem fins lucrativos voltada à recomposição florestal de áreas nativas degradadas. Por meio dessa estratégia, vem revertendo parte das vendas a um projeto de plantio de árvores.

A combinação improvável – e assertiva – entre couro e madeira tem dado super certo. “Esses materiais falam por si. Nós gostamos de ouvir o que falam um para o outro”, afirmam os fundadores.

Conversamos com eles para saber um pouco mais sobre as inspirações da Sta. Spalla. Confira entrevista exclusiva:

FTC: Queria que vocês falassem um pouco sobre vocês e como chegaram até a criação da marca;

Somos um casal, Antonio e Pâmela, e moramos em Canoas, Região Metropolitana de Porto Alegre. Temos formação em design e jornalismo, respectivamente. Até criarmos a marca, em agosto do ano passado, não nos imaginávamos trabalhando com moda. Nosso propósito sempre foi contribuir para uma sociedade mais justa, correta e que respeitasse o ambiente. A Sta. Spalla foi o caminho que encontramos para isso; uma forma de agir não apenas por nós mesmos, como também pelos outros e por tudo que está ao nosso redor.

Pensamos em um modelo de negócio pautado pelos princípios de consciência e responsabilidade. A partir disso, chegamos ao conceito da marca. Queríamos uma marca forte, com identidade única e, ao mesmo tempo, que incentivasse as pessoas a questionar o modus operandi da indústria da moda, que mostrasse a elas outras possibilidades de consumo. Com isso em mente, somamos nossas habilidades e nossos repertórios e construímos a Sta. Spalla.

FTC: A gente já falou bastante aqui sobre o lowsumerism, sobre marcas slow fashion e a conscientização do consumidor. Onde e como vocês se encaixam nisso?

Desde o nosso propósito, que é incentivar a mudança por uma moda mais ética e sustentável, até o aproveitamento das sobras da produção.

A madeira das nossas bolsas é sempre de origem legal e com autorização de uso, fornecida por instituição fiscalizada pelo Ibama, e o couro vem do excedente da indústria. Nós damos finalidade a peles de amostra, que foram curtidas para compensar falhas de produção ou nunca retiradas do curtume pelos clientes que as encomendaram. Acreditamos que todo produto parado é um desperdício de recursos e energia, uma criação sem propósito, e é essa realidade que queremos mudar.

Como parte do nosso plano de atuação sustentável, buscamos esgotar as possibilidades de uso dos materiais com os quais trabalhamos. Aproveitamos praticamente tudo, inclusive as sobras de couro e madeira, que servem de matéria-prima para a produção de colares com a marca Sta. Spalla. Assim, a geração de resíduos é mínima.

Cabe lembrar também que somos nós que confeccionamos os produtos, um a um, em pequena escala e respeitando nosso tempo de produção – a Baú Sta. Spalla, para tu teres uma ideia, demanda cerca de 15 horas de dedicação.

FTC: Qual foi a primeira peça que criaram e o que ela hoje representa para vocês?

De certa forma, temos duas. A primeira de verdade foi uma tote bag feita com capa de banco de carro e nylon de guarda-chuva, uma peça experimental, hoje recordação de que todos começam em algum lugar.

Já a primeira com traços daquilo que queríamos ser foi uma Tiracolo de couro, compensado naval e lâmina de mogno. Essa representa a evolução, a capacidade de mudar e melhorar que, esperamos, nos acompanhará sempre.

FTC: Vocês tem peças totalmente atemporais, mas que de uma maneira inusitada e ao mesmo tempo clássica, misturam madeira e couro. Qual a dica que vocês dariam para quem quer usar as peças?

Couro e madeira falam por si e combinam com qualquer ocasião, seja um piquenique entre amigos ou um jantar de negócios. O importante é sentir-se bem com a peça, já que ela compõe tanto o look quanto a identidade da pessoa. Nós acreditamos na liberdade do vestir.

FTC: Com o que vocês se inspiram?

Nossa primeira inspiração é o propósito de ser uma marca consciente. Temos isso bem claro em tudo que nos propomos a criar. Outra coisa que nos inspira é a imaginação. Pensamos em uma realidade não tão distante, em que a moda tenha sido reconhecida como verdadeiramente ética e sustentável, e nos perguntamos: o que as pessoas usariam? Esse é nosso ponto de partida.

FTC: Podem contar pra gente um pouco do processo criativo, do dia a dia na Sta. Spalla?

Para a criação de modelos, após estudarmos necessidades e preferências do público, começamos pela definição de funcionalidades, resolvemos as partes técnica e estética, depois partimos para a experimentação e os ajustes. A opinião de outras pessoas contribui bastante para entendermos como estamos e para onde vamos.

Estamos sempre procurando referências conceituais. Gostamos de acompanhar o trabalho de outras marcas e de pôr todas as ideias no papel, por mais incoerentes que elas se apresentem no momento. É sempre bom revisitar insights. O diálogo também tem importância fundamental: conversando, chegamos a propostas bem delineadas, com mais consistência.

FTC: Uma frase que define a Sta. Spalla;

Sta. Spalla é criação, unidade e movimento.

FTC: O que dá mais prazer neste trabalho de criação? E o que dá menos?

O que dá mais prazer é a oportunidade de mostrar às pessoas que há opções sustentáveis na moda e que, ao escolherem esse caminho, elas contribuem para um bem social e ambiental. É gratificante saber que tem gente se interessando por quem está por trás do produto, pelos processos e suas consequências.

Já o que dá menos prazer é a parte burocrática de todo e qualquer negócio.

FTC: E agora, o que vem pela frente?

Temos planos de crescimento, que incluem a contratação de funcionários e a ampliação de pontos de venda. Também estamos trabalhando em novos modelos e pensando em como aumentar nosso engajamento com causas solidárias. O que vier será bem-vindo!

“Nosso propósito é revisitar aquilo que era considerado refugo e incentivar a mudança por uma moda mais ética e sustentável.” – Antonio e Pâmela (fundadores da Sta. Spalla)

Sta. Spalla – Pontos de venda

Histórias na Garagem​: Rua Félix da Cunha, 1167 – Porto Alegre.

Shop OAK: Rua Francisco Ferrer, 441 | Sala 204 – Porto Alegre (segunda à sexta das 14:30 às 19:00) e loja online

The Concept: loja online

Saiba mais sobre a Sta. Spalla no site oficial ou dê um alô por email (santaspalla@gmail.com). Acompanhe as novidades da marca também nas redes sociais: Facebook e Instagram.

Fotografia e pós-produção digital: Rodrigo W. Blum. Assistência de fotografia e estilo: Karla Oliveira. Make up: Sandra Garcia. Modelo: Ana Paula Matos. 

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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