Hábitos alimentares ligados a grandes artistas da história trazem histórias peculiares 

Quando pensamos em artistas, geralmente pensamos em suas obras. Pintores, escultores, poetas, escritores e outras mentes brilhantes deixaram sua marca ao longo do tempo por suas criações muitas vezes consideradas transgressoras e atemporais. Dificilmente pensamos no que gostavam de comer e em como os alimentos influenciavam os processos de criação de nossos artistas favoritos. Mas é exatamente isso que o site Artsy revelou em uma matéria: as comidas favoritas de alguns dos artistas mais influentes da história.

DAVID LYNCH

David Lynch, 1997, Keteleer Gallery

O diretor David Lynch, por exemplo, costuma relacionar sua criatividade e serenidade a uma meditação transcendental. Mas o que pouca gente sabe é que ele é declaradamente viciado em cafeína e açúcar.

Esses dois ingredientes foram verdadeiros combustíveis para seus roteiros surrealistas e algumas pinturas macabras. Os fãs de Twin Peaks vão lembrar que o personagem principal da série é um fanático por cafeína. Esse amor tem até uma história divertida compartilhada pelo próprio Lynch.

Ele admitiu que durante sete anos, quando tinha 30 e poucos anos, ele criou o hábito de ir a um restaurante às 2:30 da manhã para tomar um milkshake de chocolate e uma média de sete copos de café adoçados. “Todo esse açúcar me dava uma acelerada e eu costumava ter muitas ideias”, disse.

PABLO PICASSO

Picasso em sua casa, Cannes, abril de 1957 / Arquivo de David Douglas Duncan © Pablo Picasso, VEGAP, Madri 2018

Já o pintor Pablo Picasso tinha uma relação mais saudável com a comida. Diz-se que a certa altura da vida ele começou a se preocupar com sua saúde e também com a queda no ritmo de sua produtividade. Na casa dos 50 anos, Picasso iniciou uma dieta restrita que incluía basicamente alimentos mediterrâneos.

Peixes, legumes, uvas e um pudim de arroz feito com grãos lavados com água mineral ou leite eram basicamente os principais do cardápio de Picasso. Um hábito curioso é que amigos que conviveram com o artista revelaram que ele não costumava dizer uma palavra enquanto fazia suas refeições. Assim como tudo que fazia, ele era intenso até na hora de comer.

ANDY WARHOL

Andy Warhol, expoente da pop-art, não está de fora dessa lista. Warhol retratou em suas obras alguns alimentos de produção em massa, como as latinhas de sopa Campbell, mas sua relação com esse tipo de alimento não para por aí. Comidas enlatadas e empacotadas pareciam compor boa parte de sua dieta alimentar.

“Eu estou apenas enganando a mim mesmo cozinhando e comendo proteínas. O que eu realmente quero é açúcar”, o artista teria escrito em seu diário certa vez. Não à toa, um de seus lanches favoritos, apelidado por ele mesmo de “bolo”, consistia em uma barra de chocolate entre duas fatias de pão, um “misto-quente” de chocolate.

De acordo com Bob Nickas, biógrafo de Warhol, também era muito comum que o artista fizesse lanches rápidos com geléia para comer na janta. E apesar de ter frequentado alguns dos restaurantes mais caros de Nova Iorque, sua grande diversão era visitar os Automats, restaurantes que vendiam comida ao estilo fast-food e que para comprá-las era preciso depositar moedas em uma máquina.

GEORGIA O’KEEFFE

Georgia O’Keeffe, Ghost Ranch, New Mexico, 1967. Projeto de Preservação de Coleções de Fotografia /John Loengard

Entre as muitas realizações da pintora Georgia O’Keeffe (principalmente, revolucionar a pintura modernista nos Estados Unidos) estava sua incrível expertise culinária. Durante sua vida, amigos de Georgia elogiaram as refeições inventivas da artista; uma vez, seu marido Alfred Stieglitz sugeriu que abrissem um restaurante.

Nos últimos anos, ela também foi tida como a pioneira do movimento de alimentos orgânicos e locais. De fato, O’Keeffe se orgulhava ao ter uma dieta saudável, baseada em hortaliças que cultivava em seu jardim, grãos integrais, ingredientes crus (nozes, tâmaras, gérmen de trigo e levedo de cerveja) e iogurte caseiro (ela mesmo fazia em sua leiteria pois tinha criação de animais).

Ela era conhecida por perguntar a sua assistente de longa data, Margaret Wood: “Você acha que as outras pessoas comem tão bem quanto nós?” O’Keeffe viveu 98 anos e preparava sucos verdes rotineiramente (uma de suas misturas favoritas levava aipo, cenoura, salsa e nabo), além de servir smoothies de frutas para seus amigos.

Seu jardineiro era um desses amigos que bebia frequente seus sucos e smoothies, e sempre Georgia lhe entregava o copo com a promessa de que “você viverá mais, será mais saudável”. A pintora também acreditava que uma dieta saudável poderia inspirar sua criatividade e produtividade.

Pois é, artistas também têm hábitos alimentares bem particulares. E você, se identifica com algum?

Mariana é jornalista e comunicadora. Adora descobrir novos lugares, explorar a cidade a pé e andar sem pressa. Se interessa por viagem, cultura e tudo o que é novidade.

Mariana – já escreveu posts no Follow the Colours.


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