Equilíbrio entre arte e sustentabilidade aparece na atuação da artista ao usar recursos disponíveis. Conheça Ianah Maia 

Ianah Maia é uma artista visual pernambucana. Além da arte urbana, a ilustração e a tatuagem são outras formas de expressão com a qual Ianah trabalha. Atualmente ela estuda Agroecologia, matéria que vem ao encontro de sua visão como artista e da forma como ela enxerga sua arte.

Além de seu traço particular, a brasileira usa geotintas (tinta de terra), que são feitas a partir de elementos naturais como terra ou argila. Isso garante um elemento ainda mais único no visual de tudo que ela cria. A pesquisa sobre esse material começou em 2017 por influência de Beatriz Omnirá, amiga e que trabalha com cerâmica. Mas a transição veio após sua residência artística.

Focada em muralismo, Ianah estava fazendo um trabalho pintando murais em uma comunidade próxima a um rio. Ela percebeu que seus colegas lavavam seus pincéis na própria água no rio, uma vez que se lavassem nas casas de algum morador da região o destino seria o mesmo, devido à falta de uma rede de esgoto sanitário.

Essa experiência a inspirou a levar as geotintas para a rua, em uma busca de trazer mais sustentabilidade para seu processo criativo. Nas palavras da artista, a ideia era encontrar uma forma de tornar a arte urbana mais ecologicamente responsável e acessível. Também é uma forma de valorizar o solo e as cores de cada território novo. E para Ianah Maia, ser sustentável está em ser responsável com os resíduos que geramos. 

MATERIAIS E PERSONAGENS LÚDICOS

Antes das geotintas, seus principais materiais eram a tinta acrílica, o nanquim e a aquarela. Com as tintas naturais, a paleta de cores fica mais enxuta e é um desafio artístico em termos de variação e tons. “Na expo Temporal abracei esse desafio de só pintar com geotinta, no entanto para outros projetos não me fecho totalmente à possibilidade de usar cores industrializadas. Acho que para mim é muito mais válido trabalhar com o que tenho disponível e fazer um uso consciente desse material, procurando reaproveitar todas as tintas ao máximo, e ter responsabilidade sobre o destino dos resíduos que minha arte vier a produzir, diz.

Sua grande fonte de inspiração está na natureza. “Essa natureza da qual fazemos parte e que está presente em nossos corpos, nossa cultura, nossa ancestralidade, nossa espiritualidade. O feminismo, as lutas do campo, a agroecologia, o budismo, a jurema, o candomblé, a música, banho de chuva, cachoeira, mar, mata fechada e toda as outras formas de conexão offline”, define.

Toda essa conexão com o que a rodeia também reflete em como a artista se enxerga enquanto tal. Para ela, as imperfeições são válidas. A despadronização da beleza defendida pelo feminismo também a inspira a aplicar o conceito em sua arte e abraçá-la com as imperfeições de uma pincelada ou com o granulado da terra.

Ianah Maia é dona de um traço inconfundível e suas personagens nos levam a um mundo lúdico, fantástico, sutil, simbólico e guiam nossa intuição sobre outras perspectivas na nossa relação com a natureza, com o feminino, com a espiritualidade e com nossas emoções.

Ianah já participou de exposições coletivas e mostras na Galeria Janete Costa (PE), Casa Naára (RJ), A Casa Do Cachorro Preto (PE), Fundação Capitania das Artes (RN), da mostra coletiva Entremoveres no Museu da Abolição (PE), que integra a programação da nacional Trovoa.

A multi e superartista tem belos e incríveis murais pintados nas ruas de Recife, Olinda, Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e também no exterior, como Madri, Barcelona, Marselha, Paris e Buenos Aires. Atualmente, está se preparando para uma turnê artística, produzindo murais e oficinas pelo interior de Pernambuco, por meio do edital do Funcultura / PE. 

Pra saber mais: acesse o site da artista Ianah Maia e acompanhe seu trabalho pelo Instagram!

Mariana é jornalista e comunicadora. Adora descobrir novos lugares, explorar a cidade a pé e andar sem pressa. Se interessa por viagem, cultura e tudo o que é novidade.

Mariana – já escreveu posts no Follow the Colours.


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