Indescritivelmente encantadora. Na delicadeza de pinceladas sutis, preenchidas por cores e uma sensibilidade densa e afinada, a arte de Juliana Rabelo é assim, toca o coração sem o mínimo esforço. É bater os olhos e sentir uma leveza subjetiva que acalma, inspira e aquece a alma. Virginiana assumida, Juliana mora atualmente em Fortaleza e, apesar de ser Bacharel em Design de Moda, sua verdadeira paixão está nas pinturas em aquarela.

A transparência da artista de 24 anos se reflete na beleza do universo feminino e na sinceridade que transbordam em seu trabalho. Além de expressar um talento que cativa e emociona, através de ilustrações recheadas por uma empatia fascinante, Juliana oferece cursos e oficinas de aquarela para quem quer aprender a expor seus sentimentos de forma colorida, buscando o encontro da autenticidade de cada um.

Em entrevista exclusiva para o FTC, ela conta, um pouco de si e seu processo criativo, sua arte e um ponto de vista belo e carinhoso sobre o mundo. Confira!

FTC: Há uma descrição breve, leve e divertida sobre você no seu blog. Com as suas palavras, poderia nos contar um pouco mais? Como foi sua trajetória até chegar às ilustrações?

Juliana: Acho que todo mundo que trabalha com desenho desenha desde criança, e comigo não foi diferente; eu fui uma criança tímida e tinha certas dificuldades em me relacionar e fazer amigos, e era através do desenho que eu conseguia fazer com que as pessoas se aproximassem de mim. Na faculdade de Moda, alguns anos depois, tive a oportunidade de ser bolsista de um projeto que estudava a Ilustração, e foi ali que percebi que eu poderia trabalhar com o que mais gosto de fazer!

Sonho em poder viver tranquilamente e com estabilidade das minhas aulas e ilustrações, em poder morar num lugar bem alto e com uma varanda para eu poder pintar o céu numa tela sobre um cavalete, em encontrar meu lugar no mundo e, de alguma forma, poder fazer dele um lugar mais feliz.

FTC: Há quanto tempo você cria sua arte?

Juliana: Eu desenho desde criança! Mas profissionalmente falando, faz cerca de seis ou sete anos; é difícil estabelecer uma data certa, porque essa transição do hobby para o profissional foi muito fluida.

FTC: O que faz da aquarela tão especial para você?

Juliana: Acho que a delicadeza, a fluidez, a maneira mágica como a cor vai se misturando na água e tingindo o papel. Além da imprevisibilidade, das manchas que surgem ao acaso, dessa propriedade de não ser controlável, sempre surpreender. Como uma virginiana que tende a querer estar no controle de todas as situações, trabalhar com aquarela sempre é um poço de aprendizado, tanto em questões de técnica, como para a vida.

FTC: Além da aquarela, quais materiais você utiliza e qual deles mais gosta?

Juliana: Eu gosto muito de trabalhar com o lápis grafite também, mas meu favorito (depois da aquarela), é o lápis de cor. Adoro a delicadeza das texturas que se formam!

FTC: Como é o processo criativo dos projetos quando desenvolvidos para outras pessoas? A riqueza de detalhes e a empatia com as propostas é impressionante!

Juliana: Eu geralmente busco uma certa aproximação com o cliente, especialmente quando o projeto envolve retratos ou peças que tenham mais carga afetiva para a pessoa. Me interesso em saber da história dos envolvidos, dos pequenos detalhes, das músicas que marcaram, dos signos,  das cores favoritas, de como se conheceram (quando são casais). Gosto de conhecer essas histórias, me envolver e mergulhar nelas, me imaginar no meio de tudo isso e pensar no que deixaria cada uma dessas pessoas feliz, no que eu posso colocar no papel pra que elas olhem todos os dias e possam sorrir.

FTC: Qual a influência das cores nos seus trabalhos?

Juliana: As cores estão diretamente (ou quase) relacionadas com meu estado de espírito – quando estou tranquila ou feliz, as cores vêm suaves, tons pastel, delicadas; em dias mais difíceis, as pinturas chegam com um aspecto mais pesado, frio, com altos contrastes, um drama maior. Já aconteceu de eu estar trabalhando em uma encomenda em um dia meio difícil e, quando enviei a proposta para a cliente, ela respondeu questionando o uso das cores fortes. Às vezes é inconsciente! Tive de dar um jeito de ficar melhor para refazer o trabalho (rs)!

FTC: De que maneira suas criações refletem um pouco de quem você é?

Juliana: Acho que não tem como não colocarmos um pouquinho de nós em cada trabalho; se não de nós, de quem gostaríamos de ser, nossos sonhos, o que queremos para a vida. Minhas personagens quase sempre estão inseridas num ambiente de calma, paz, serenidade, magia, e suas expressões faciais são quase sempre suaves, tímidas, introspectivas.

O que a maior parte das pessoas vê é a Juliana comunicativa, na frente de uma sala de aula, rindo com os amigos, tendo uma vida de independência, mas no fundo, sou uma pessoa tímida, romântica, um passarinho pequenininho, procurando um lugarzinho para repousar em paz.

Autorretrato

FTC: Está desenvolvendo algum projeto específico atualmente?

Juliana: Estou num momento mais introspectivo de pesquisa, experimentos e estudos, e me arriscando em pequenas histórias em quadrinhos.

FTC: O que é arte para você e como definiria sua arte?

Juliana: Arte para mim é comunicação, um canal, uma ponte, um caminho que a gente pode fazer de dentro da gente para fora, e onde o outro pode caminhar junto a partir dali. Definir o que faço é difícil, porque é como se eu tivesse que definir a mim. Mas poderia dizer que meu trabalho fala sobre a serenidade que busco, a contemplação das pequenas coisas, as delicadezas que acontecem em uma fração de segundos.FTC: Com o que você se inspira?

Juliana: O universo feminino principalmente, e também com as pequenas coisas do dia a dia, as coisas que a gente sente e não têm nome, as cores do céu.

FTC: 5 coisas que não consegue viver sem.

Juliana: Meus gatinhos, as pessoas que amo, gargalhadas, momentos de descanso, e um papel em branco.

 

FTC: Um filme, uma música e um livro que a representem ou têm muito a ver com você.

Juliana: Sou péssima em escolher uma coisa só! Eu amo muito os filmes da Disney, e meu favorito é Mulan. Eu amei ler Os Capitães da Areia (do Jorge Amado), e se eu pudesse escolher duas músicas, seriam O Caderno (Toquinho) e Contato Imediato (Arnaldo Antunes). Sempre fico arrepiada quando escuto!

FTC: Uma frase da sua vida.

Juliana: É quase um mantra para mim, que faz parte de uma tirinha do André Dahmer: “Mas se você não está morto, sonhará porto por perto. Anoiteça o que anoitecer, coração aberto.”

 

 

Mais detalhes e particularidades das histórias existentes por trás de cada ilustração, você encontra no site da Juliana. Acompanhe seu trabalho no Tumblr, Instagram, Facebook e no Pinterest.

Para adquirir algumas de suas obras, é só clicar aqui.

Viciada em açúcar, Marina Gallegani é movida pelas forças da natureza e tem fome de liberdade. Jornalista, escritora e fotógrafa amadora, se entrega às cores da vida e sonha com viagens ao redor do mundo. Em constante reconstrução, acredita ser eterna e tem a certeza de que o sorvete é uma das fórmulas da felicidade.

Marina Gallegani – já escreveu posts no Follow the Colours.


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