Ilustradora e diretora de arte, Priscila Barbosa é formada em Artes Visuais e deixou a educação cultural pra se dedicar ao Design. Amante de flores e plantas, tatuagens, nostálgica, observadora do universo feminino e de suas questões mais profundas, Priscila ilustra projetos fantásticos utilizando esses temas e um mix de técnicas, tendo como fio condutor a pintura manual.

O que também chama atenção em seu trabalho é a forte relação com os tons suaves, principalmente o rosa, que combina facilmente com outras cores análogas, e as inúmeras formas das mulheres que desenha, que estão sempre bem a vontade de se mostrar como são, representadas por corpos naturais e fluídos.

Entre um traço e outro, Priscila cria poesia visual sem utilizar uma palavra. Suas linhas entregam delicadeza, mostram força feminina e nos conectam de alguma forma; é uma identificação imediata com o simbolismo das imagens. Saiba um pouco mais sobre a artista e o seu estilo!

ENTREVISTA COM PRISCILA BARBOSA

FTC: Priscila, conta um pouco sobre você e como chegou até a ilustração.

Minha pretensão de carreira desde a adolescência foi a Ilustração, mas desisti logo que entrei na faculdade de Artes Visuais, onde pude ver mais áreas possíveis e ampliar minhas referências. Desde então trabalhei com Educação Cultural em grandes Instituições de São Paulo e posteriormente com design e ilustração em estúdios, sem desenvolver a ilustração autoral, o que foi bastante frustrante. Por falta de grana comecei a fazer freelas e ilustrações personalizadas e a paixão por desenhar voltou com força total, tornando impossível não perseguir uma carreira na área.

FTC: Qual foi seu momento “a-ha”, seu estalo, para se interessar pelos temas que aborda hoje?

Tenho abordado há algum tempo as inquietações que tenho em torno da figura feminina. Tenho um grupo de amigas das artes do corpo que também me trazem insights com muito potencial e cujas discussões permeiam muito meu trabalho. Minhas ilustrações refletem comportamentos que observo em mim mesma e todos os questionamentos que os acompanham, já que muitas vezes são provenientes de padrões construídos por um sistema sufocante e sexista, e reproduzidos por mim sem critério. Ilustrar essas inquietações é parte de um processo de desconstrução muito pessoal.

FTC: Como surgiu essa sua relação com a arte? Quais suas inspirações?

Quando criança eu era bastante introspectiva e tímida e desenhar sempre foi um refúgio e uma maneira de me expressar e comunicar. Eu brinco que sempre fui uma criança nostálgica. Talvez por essa sensibilidade, as obras de arte me afetavam demais e fui pegando gosto por conhecer muitos artistas e entender como suas obras refletiam suas personalidades.

Inclusive, por esse processo, artistas renomados como Van Gogh, Mucha e Egon Schiele sejam sempre referências visuais. Mas minhas maiores inspirações hoje não são visuais, mas provocações encontradas em textos de mulheres como Lya Luft, Simone de Beauvoir e Clarissa Pinkola Estés, que desafiam minhas noções do feminino e do papel que a mulher artista tem na sociedade.

FTC: Conta mais sobre o uso das cores. 

Tenho uma relação de amor com o rosa, acho uma cor incrível. Tem essa coisa de pele, de nude, com potencial de alcançar muitos tons diferentes. Gosto bastante de tons suaves e do contraste de cores análogas, nunca fui muito do colorido. Considero a paleta de cores uma das partes mais importantes da criação, trocadilhos à parte, é realmente o que dá o tom.

FTC: O que tem lido, ouvido, visto, quais são os artista preferidos no momento?

Tenho me interessado cada vez mais por conhecer outras ilustradora contemporâneas, dentre as que descobri recentemente e já admiro estão Gabriella Barouch e Maria Aparicio Puentes. Em casa a trilha sonora oficial é Creedence Clearwater, mas rola também Belle e Sebastian na hora da criação. A leitura atual é ‘Pensar é transgredir’, da Lya Luft.

FTC: O que te dá mais prazer no seu trabalho? E o que dá menos?

O que dá mais prazer no meu trabalho é receber propostas de projetos que vão de encontro às discussões que me identifico e aos meus valores, é muito legal saber que meu trabalho vai representar uma causa ou propor uma reflexão com a qual me identifico. O que dá menos prazer é ver o quanto a arte – em suas diversas formas – é economicamente desvalorizada.

FTC: Quando viu que dava pra viver disso, ou não dá? Quais as dificuldades nessa carreira?

Já tá fazendo quase um ano que trabalho como freelancer e só vi que dava quando já tava aqui! Me desvencilhar do conceito de trabalho como algo formal com registro na carteira foi um processo longo e de muita insegurança, mas abriu muito minha cabeça. Me fez crescer como profissional e enxergar a relação com o trabalho de uma maneira muito mais leve e ampla.

A dificuldade financeira é sim uma realidade, mas o maior desafio é a disciplina que exige. Você se torna responsável não só pelas metas e planejamento criativo, mas também por áreas com as quais não tem afinidade, no meu caso as administrativas!

FTC: O que te faz feliz?

Ter meu trabalho reconhecido e ouvir que as pessoas se identificam ou se inspiram nele me faz felizalém de cuidar da minha casa e de um bom café da manhã.

FTC: E agora, o que vem pela frente?

Pra esse ano o foco tem sido ampliar as experimentações e buscar outras maneiras de expor/vender os trabalhos, tornar tudo mais profissional. Botar a cara no mundo mesmo.

FTC: Uma frase que sustenta o seu trabalho hoje.

“Duas irmãs se reconhecem pelo amor, pela coragem, pela luta”, da Giovanna Lima.

A POESIA VISUAL DE PRISCILA BARBOSA

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Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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