Sara Díaz Vergara (Espanha, 1991) é formada em Artes e em Ilustração Editorial. Atualmente, é freelancer e desenvolve seus próprios projetos artísticos, que exploram territórios oníricos e tem como base principal as teorias psicanalíticas. Sua arte reflete seu interesse em certas disciplinas científicas, como a anatomia e a biologia. Tanto que é comum ver em suas colagens e ilustrações, referências mitológicas, símbolos comuns do inconsciente e de nossa cultura, além da repetição de certos padrões. “Através do meu trabalho artístico, pretendo reformular os símbolos relacionados a esses sistemas mitológicos do ponto de vista contemporâneo e dar-lhes uma nova leitura, criando assim uma nova ideia”.

Sara conta que desde pequena ela desenha e sente que a atividade é sua forma de escape. Quando adolescente, se divertia fazendo quadrinhos. Depois disso, decidiu estudar Belas Artes porque acreditava que tinha que desenvolver sua criatividade e melhorar suas técnicas de desenho para alcançar seus objetivos. Desde que terminou os estudos, a artista então não parou de praticar.

Agora começou a participar de feiras e exposições, os trabalhos comissionados começaram a aparecer, executados em paralelo com o seus projetos pessoais. Além disso, ela se especializou em ilustração editorial. “Eu acredito que ilustrador é um carreira de longo prazo em que você está constantemente aprendendo”.

Conversamos com a artista para saber um pouco mais sobre suas inspirações e sobre os curiosos temas que ela explora em seu trabalho.

ENTREVISTA SARA DÍAZ VERGARA

FTC: Seu trabalho é único: podemos ver em suas colagens temas como anatomia, morbidade, biologia, psicologia e influência oriental. Como você iniciou esse estilo?

Minha arte atual é baseada em duas disciplinas diferentes: desenho e colagem. O sujeito em questão (em ambos os casos) gira em torno do inconsciente. Você pode ver minha influência em entomologia e anatomia combinadas com o orientalismo. Eu criei um discurso artístico desde que descobri os grandes artistas japoneses (do século XVIII até agora). Adoro a sua cultura e eu quero unir minhas imagens com essas inspirações japonesas, criando composições surrealistas onde o papel das mulheres ganha importância.

Dou atenção especial à gentileza e sofisticação. Minhas colagens falam de uma e muitas épocas ao mesmo tempo, de uma base comum que cada um de nós compartilha uns com os outros, de formas semelhantes inerentes ao nossos pensamentos e percepções internas. Minha arte fala sobre mim e pelos outros.

FTC: Como você acha que as cores te influenciam?

Falando em composição na colagem, prefiro a contraposição das cores. Por um lado, uso cores “vintage” em que eu misturo tons intensos. As cores das ilustrações editoriais são realmente profundas e saturadas. Por outro lado, a cor preta é muito importante para mim, é por isso que costumo inclui-la em meus fundos sempre.

FTC: Como você se inspira? Algum hobby?

Eu sempre me sinto inspirada. Na verdade, acho que nunca viverei o suficiente para criar tudo o que eu gostaria de fazer. Não posso explicar o porquê, eu só sei que tenho um mundo interior enorme e sou realmente o tipo de pessoa sonhadora. Meus interesses são música, leitura, exibição de filmes e entomologia, entre outros. Eu também gosto de colecionar folhas, flores, plantas secas, conchas marinhas, papelaria oriental e livros antigos. Eu acho que um desses dias eu farei algo com esse estoque de coisas que tenho guardada!

FTC: Como você descreve sua linha de trabalho?

Basicamente, é um tipo de trabalho obsessivo. Quando eu começo um novo desenho ou colagem não posso sair dele ou me dedicar apenas algumas horas por dia. Eu tenho que fazê-lo de uma só vez. Eu apenas paro para comer algo ou para dormir.

As sessões podem durar até 10 horas por dia. Quando eu acordo, eu retomo minha atividade e assim por diante, até terminar a obra. Eu sou incapaz de fazer apenas um pouco por dia porque a ideia inicial mudaria completamente.

FTC: O que vem pela frente?

Quero fazer esculturas. Atualmente estou colecionando ossos de animais que eu quero usar como materiais para esculturas. Ainda preciso de mais algum tempo para alcançar esse objetivo (embora eu já fiz alguns modelos).

FTC: Você pode dizer uma banda, um filme e um artista que você gosta muito?

Esta questão é muito difícil para mim. É difícil escolher apenas um. Bem, aqui está: uma banda “Nine Inch Nails”, um filme “Alice” (de Jan Svankmajer) e um artista, Tanadori Yokoo.

FTC: Hoje você mora em Madrid. Pode nos recomendar um lugar que ninguém pode perder ao visitar a sua cidade?

O Museu de vertebrados localizado na Faculdade de Biologia da Universidade Complutense de Madri. É pouco conhecido. Este museu pode ser encontrado no porão da Faculdade. Lá você pode ver belas espécimes de ossos de animais, que inspiraram meus desenhos muitas vezes.

Acompanhe o trabalho de Sara Díaz Vergara em seu site e no Instagram.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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