A partir dos diferentes materiais podemos criar coisas únicas. Ainda mais nos dias atuais em que cada vez mais a produção de lixo sobe com o aumento da população. Precisamos tentar buscar outras alternativas, como o tênis da adidas 100% feito com plásticos retirados do oceano, a cápsula biodegradável que poderia substituir as garrafas de água, ou até as embalagens feitas de mandioca e até copos e canudos comestíveisE para que isso aconteça precisamos saber mais sobre… Materiais! Então fomos conhecer a 1ª Biblioteca de Materiais da América Latina que fica na Vila Mariana, em São Paulo.

E agora você tem uma oportunidade super bacana para conhecer mais sobre tecidos, pedras, madeiras e muitos outros materiais variados que se encontram na Biblioteca de Materiais do Centro Universitário Belas Artes: BA-Z

A BA-Z está localizada perto do metrô Ana Rosa. Você precisa agendar para visitá-la, mas uma vez lá, poderá mergulhar nos livros, no chiffon, no veludo, na argila.

Fomos visitar o espaço, coordenado pelo Fernando Laterza, professor de graduação e pós graduação no Centro Universitário Belas Artes e coordenador no Núcleo de Design. A BA-Z fica dentro da Biblioteca de Design, com mesa para estudos e cafeteria de apoio.

Aquela dúvida de “Que tecido será que é esse?” agora tem resposta. Com amostras de diferentes tons, formas e texturas, você percebe que nem tudo nessa vida é feito de algodão!

Os materiais tem indicações das dimensões, fabricante, cor e outras informações para você conseguir identificar o que é aquilo. E como tirar foto é liberado, você pode depois pesquisar mais sobre tudo o que gostar.

Entrevistamos o coordenador do espaço, professor Fernando Laterza que gentilmente respondeu nossas dúvidas:

FTC: Como foi o processo de preparação para colocar o projeto em prática? Foi difícil?

Fernando: Difícil não, trabalhoso! O projeto foi amadurecendo aos poucos, surgiu da necessidade de renovarmos o espaço da materioteca que estava sendo pouco usado pelos alunos. Os catálogos digitais das empresas são uma realidade, mas por outro lado havia uma demanda por materiais ligados a realidades locais, que não aparecem nos catálogos online das grandes marcas.

Quando eu e a Profª Drª Bruna Petreca iniciamos o projeto, tínhamos um desafio pela frente no sentido de implementarmos uma oferta didática condizente com a realidade dos profissionais que formamos. Iniciamos em 2016, foram dois anos de pesquisa, catalogação e construção de acordos e parcerias, além da organização interna.

Historicamente fizemos apenas o quadro caracterizador, inovamos ao incluir nas fichas catalográficas, com a mesma importância, um quadro contextualizador, além do cuidado em buscar materiais com enredamentos locais, brasileiros, sul americanos.

Preciso agradecer a nossa Bibliotecária Chefe, a Profª Leila Rabello, pelo apoio e ao Prof. Rafael Manzo, pela contribuição valiosa com relação a esta dualidade na catalogação.

FTC: Quais os objetivos que a biblioteca pretende atingir a curto prazo?

Fernando: A curto prazo estamos aperfeiçoando a oferta didática no sentido de apoiarmos ao máximo a formação do profissional de Arquitetura e Design. Este apoio se manifesta através de ações dentro e fora da instituição, o Material BAZ é um espaço hiper-conectado.

Por exemplo, tivemos no mês de outubro um workshop feito pelo Atelier-Oï da Suiça. Os alunos trabalharam diretamente com o Aurel Aebi, foi uma experiência incrível!

FTC: E quais os objetivos a logo prazo?

Fernando: A longo prazo temos como meta a oferta de serviços e atendimento a empresas e profissionais da área.

FTC: Quantos materiais a biblioteca tem, em números?

Fernando: Temos mais de cinco mil itens, e um galpão cheio esperando para ser catalogado, nosso maior desafio hoje é o fluxo gerado pelo espaço.

FTC: Como funcionam as parcerias como da University of Arts de Londres e com o designer Marcelo Rosenbaum?

Fernando: Londres nos forneceu amostras de materiais e objetos, enviou duas palestrantes importantes, referências na área de Design, há troca de informações sobre materiais, tendências e um intercâmbio constante.

O Marcelo Rosenbaum trouxe sua expertise em materialidades ligadas a ancestralidades, com uma forte carga emotiva e cultural. Ele e a sócia, a Arquiteta Adriana Benguela, ministram palestras, fazem mentorias e já haviam iniciado este percurso com a Belas Artes por ocasião do curso Design Essencial de 2016. É uma troca muito rica.

Temos também acordos de várias naturezas,  como com o IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, com o Senai de São Bernardo, o ponto alto geralmente se dá em função do BADW, evento de design que faz parte do calendário

FTC: Será que você pode explicar um pouco melhor sobre a iniciativa “Drops BA-Z”, mencionada no site da biblioteca, o que é e como funciona?

Fernando: São instalações permanentes ou efêmeras, de pequenas dimensões, tipo um “resumo” do espaço principal, em locais variados para dar visibilidade ao Material BAZ e apoio aos cursos.

Iniciamos com uma na oficina de costura e uma na marcenaria, ambas permanentes. Há amostras que circulam, outras ficam no local. Tivemos um drops no BA Creative Collectibles, estamos preparando um calendário de drops efêmeros.

FTC: Quais são suas recomendações para as pessoas que vem visitar a biblioteca, o que elas devem procurar?

Fernando: É essencial compreender que se trata de um espaço hiper-conectado, que se manifesta em diferentes locais em tempos diversos. Há uma área expositiva com curadoria permanente, ali estão os destaques.

Hoje esta área está em processo de renovação das amostras, tínhamos materiais do Rosenbaum, Cerâmicas super finas da Nydia Rocha, do Coletivo 462, e os resultados de materiais compósitos fruto de pesquisas dos alunos até dezembro. Em março/19, teremos Chapéus da Flora e materiais de teares regionais.

FTC: Algo mais que você queira acrescentar?

Fernando: O espaço é dinâmico, há uma relação muito intensa com várias empresas, entidades e profissionais, como Torcetex, DuPont e Braskem, com entidades como Comitê Brasileiro de Cores e ABAL.

A iniciativa da BA-Z, assim como outros núcleos de pesquisa espalhados pelo mundo, é o que faz com que de vez em quando vejamos materiais novos, sejam pela sustentabilidade, ou pela inovação. Como a madeira transparente criada por cientistas ou o cimento que permite a passagem de luz solar de dia e evidencia as luzes internas dos edifícios à noite. Quanto maior o contato com os materiais que nos cercam, maiores as chances de pensar o que é que falta, e o que podemos criar!

O prédio onde a biblioteca se encontra fica na Rua José Antônio Coelho, 879, Vila Mariana – Metrô Ana Rosa, e tem também um café, mesas de estudo e um laboratório de design e experiências imersivas.

O piso de pedras portuguesas reforça a ideia de um espaço que continua a partir da rua e permeia o edifício.

Além da incrível biblioteca você ainda pode admirar um pouco da linha do tempo do Centro Universitário Belas Artes feito em forma de colagem.

Nós amamos colagens! Já falamos aqui de alguns artistas como o Gustavo Prata, que mistura mitologia com surrealismo, o qual lembra o Gabriel Ribeiro, que também usa surrealismo nas suas obras, mas com botânica e fotos analógicas!

Tereza Teixera é estudante de Arquitetura e Urbanismo com muito prazer e está sempre procurando aprender mais sobre um pouco de tudo, principalmente sobre cenografia, criatividade, inovação, filosofia, negócios e novas formas de viver. Regida sob novos desafios e convivência constante com a arte.

Tereza Teixeira – já escreveu posts no Follow the Colours.


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