O.bestiário é o projeto que dá vazão ao mundo de ficção de Lucas Careli, um escultor que vive e trabalha na cidade de São Paulo, e que desde 2017 materializa suas ideias através de suas criaturas fantásticas em resina.

Natural da cidade de Santo André, em São Paulo, o artista graduou-se em Arquitetura e Urbanismo e atuou na área durante dez anos, se dedicando paralelamente ao projeto do o.bestiário durante seu último ano no escritório de arquitetura.

Após o período em que se dividiu entre as duas funções, o escritório em que Lucas trabalhava encerrou suas atividades, o que o levou a se dedicar exclusivamente à carreira artística: “No início foi bem assustador e eu não pensei que pudesse dar certo como meu único emprego, mas as coisas tem dado certo há dois anos”, ele diz.

ESTÉTICA DO O.BESTIÁRIO

Além de terem uma qualidade estética singular, grande parte de suas peças criadas por Lucas é utilitária, e consegue substituir de forma muito bacana objetos do cotidiano. Ele conta que “o objetivo do projeto é trazer mais fantasia ao dia-a-dia, espalhando criaturas que podem ser de grande ajuda pelas casas. Algumas delas seguram velas, outras te emprestam as orelhas e a língua para que você não se esqueça de onde colocou suas chaves, e ainda há aquelas que fazem biquinho para que você tenha um lugar para apoiar seus incensos”.

Com lançamentos mensais de novas criaturas, o.bestiário está em processo contínuo de expansão e renovação pelas mãos do artista, que é responsável por todo o processo de confecção dos objetos.

Seu método envolve esculpir as criaturas em clay, uma massa de modelagem que se mantém maleável em sua condição original, permitindo diversas experimentações durante o processo. Em seguida ele reproduz as peças em resina para posteriormente pintá-las individualmente à mão.

ENTREVISTA LUCAS CARELI

 O Lucas concedeu uma entrevista exclusiva ao FTC onde contou um pouco sobre o início do seu projeto, influências e rotina de trabalho. Acompanhe:

FTC: Qual foi seu momento “a-ha”, seu estalo, para começar a criar seus personagens?

Lucas: Essa pergunta é complicada porque eu tive a sorte de desde muito pequeno ser incentivado a desenvolver projetos artísticos, muito pelo fato de meu pai ser artista plástico e minha mãe durante um bom tempo ter sido dançarina; desde criança tive contato com desenho, escultura, música, teatro, fotografia, etc.

No entanto, acredito que o começo do o.bestiário foi uma série de esculturas que fiz pra decorar minha casa em 2016 baseadas no meu livro favorito, “A Longa Jornada”, de Richard Adams. A partir dessa retomada com modelagem e escultura comecei a desenvolver o trabalho que veio a se tornar o.bestiário.

FTC: Suas peças seguem uma linguagem muito particular. Quais as influências que estão por trás do o.bestiário?

Lucas: Acredito que os artistas que mais me inspiram para as criações do o.bestiário sejam Hayao Miyazaki (diretor de diversos filmes do Studio Ghibli), Ken Sugimori (designer japonês e co-criador de Pokémon) e o ilustrador Brian Froud. Lembro que na minha adolescência um dos livros que eu mais pegava da biblioteca era “O livro de fadas prensadas de Lady Cottington”, que é todo ilustrado pelo Brian, e isso me marcou muito.

Mas além desses três artistas que eu amo, gosto de pegar referências e inspiração em diversos outros universos fantásticos, seja no formato de livro, filme, anime, série, etc. O que mais me inspira é a liberdade criativa e a construção de universos ficcionais no geral.

FTC: Pode contar pra gente um pouco do seu processo criativo no dia-a-dia? Como é o seu espaço de trabalho?

Lucas: Eu trabalho sozinho e de casa (um apartamento de três cômodos no centro de São Paulo). No meu dia-a-dia eu tento fazer um balanço equilibrado entre a produção das encomendas, a criação de novas peças e a administração do site e do Instagram do o.bestiário. É um trabalho intenso pra uma pessoa , mas tem dado certo.

Sobre o processo de criação de novas peças, eu costumo começar com rabiscos em um caderno de anotações e ideias, e quando gosto de alguma vou trabalhando melhor nela, ainda no campo da ilustração. Quando o desenho está bom, passo para a modelagem em argila (clay) e assim começa o processo que vai resultar em uma nova criatura.

FTC: O que te dá mais prazer no seu trabalho? E o que dá menos?

Lucas: Definitivamente o que me dá mais prazer é ter a oportunidade de desenvolver meu universo ficcional, e no final do processo de criação conseguir segurar algo que antes estava só na minha cabeça ou nas páginas do meu caderno de anotação. A sensação de dar volume e peso ao que antes era ideia é incrível.

O que me dá menos prazer é o lance administrativo do projeto, processos burocráticos e de rotina que fogem da área criativa ou de produção, como ir aos correios, comprar matéria prima, pensar em estoque, fazer a gestão de mídias sociais e do site, etc. Mas eu entendo que isso faz parte do trabalho.

FTC: Quais as dificuldades da sua carreira?

Lucas: A maior dificuldade com certeza é a instabilidade financeira. Tem mês que as vendas são muito boas e outros meses nem tanto, e também se manter criativo e trazendo novidades pras pessoas que acompanham meu trabalho.

Curtiu? Acompanhe as novidades do trabalho do Lucas através do site e do instagram do o.bestiário!

Affonso atua como artista visual e tem dificuldade em ficar parado. Amante dos trabalhos manuais desde pequeno, criou sua loja online, a Caixote dos Milagres, em 2015. Por lá ele comercializa bordados que confecciona a partir de suas próprias ilustrações. Affonso adora artes, decoração e qualquer projeto de “faça-você-mesmo”. Acredita que com criatividade é possível transformar o espaço e as pessoas ao seu redor.

Affonso Malagutti – já escreveu posts no Follow the Colours.


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