A Formas Simples surgiu da busca por bolsas e acessórios funcionais e de uma estética simples. A marca de bolsas de couro artesanais tem muito estilo e nada de frescura. Conheça! 

Formas Simples é o trabalho de Clarice. Ela quem desenha, cria e produz todas as bolsas usando suas mãos, criatividade e uma máquina de costura. Como o nome já diz, os produtos que você vai encontrar na marca são simples, funcionais e duradouros. Clarice busca sua inspiração diária na arte, design, arquitetura.

Ela, que sempre gostou muito de bolsa e sapato e nunca ligou muito pra roupa, em 2015/2016 percebeu que não se encantava com nada do que via nas vitrines. Nessa mesma época, Clarice estava numa onda sobre o minimalismo, e ao passear pelo Brás em São Paulo encontrou várias lojas que vendiam retalhos de couro. “Eu comprei um pouquinho e fui testando. Costurei a primeira na mão, marcando a distância dos pontos com a fita métrica, coisa de maluco. Depois fui arranjando maneiras pra minha mãe conseguir costurar na máquina dela. E assim saíram as primeiras bolsas. Eu e minha mãe tentando, errando e acertando”.

A marca veio dessas tentativas, algumas pessoas quiseram comprar e ela precisava de uma etiqueta. Clarice nunca gostou muito de colocar o seu nome nas coisas, e Formas Simples refletia bem o trabalho que gosta de fazer. Assim começava tudo.

De Volta Redonda, Rio de Janeiro, para todo o Brasil, o trabalho artesanal e super bem acabado das peças, tem conquistado espaço em feiras de produtores autorais, além de colaborações com outras marcas. As vendas online só tem crescido. Conversamos um pouco mais com Clarice, a artesã do couro responsável por tudo, para saber um pouco mais sobre suas inspirações. Conheça seu incrível trabalho!

FTCMAG ENTREVISTA CLARICE, FORMAS SIMPLES

FTC: A gente já falou bastante aqui sobre o lowsumerism, marcas slow fashion e a conscientização do consumidor. Com a pandemia, uma das tendências é ser ainda mais transparente em relação a matéria prima.  Como a Formas Simples se encaixa nisso?

A nossa produção é toda artesanal e feita por uma só pessoa, então acho que a nossa essência é slow fashion. Duas coisas têm me preocupado ultimamente: comprar insumos e ferramentas produzidas no Brasil e os resíduos que a produção gera.

Procuro comprar todas ferramentas e matérias primas de produtores brasileiros, essa é a forma que eu tenho de apoiar as empresas locais, que, na maior parte das vezes, são empresas pequenas e familiares. Isso faz uma diferença enorme pra mim: ajudar e fazer girar, através do meu negócio, o negócio de outras pessoas. E isso é um grande desafio hoje em dia em que tudo da China é tão barato.

E os resíduos gerados na produção das bolsas não podem ir pro lixo. Depois de conversar com um especialista que me disse que o couro não pode ser reciclado, que o destino dos retalhinhos teria que ser o aterro, eu me recuso a jogar os restinhos de couro fora. Estou juntando todos, e vou achar um destino para eles.

A Carteira Poá foi pensada para ser feita usando vários pedaços de couro menores que eu já tinha. Vou guardando e pensando em outros produtos que possam ser feitos de retalhos. Também vou fazer uma parceria com uma marca de bijuterias de uma amiga, pra que ela possa fazer peças com pedacinhos de couro. É um trabalho constante de conscientização e aprendizado.

FTC: Qual foi a primeira peça que criou e o que ela hoje representa para vocês?

A primeira peça foi a Bolsa Nó (abaixo) e ela ainda é uma das mais queridas e mais vendidas. A modelagem passou por vários pequenos ajustes, mas continua bem fiel à primeira que foi feita. Eu gosto de tudo nesse modelo: acho simples e ao mesmo tempo diferente.

O corpo e a alça são todos em couro e não tem costuras e nem ferragens aparentes. É uma bolsa reduzida ao essencial, e, isso decorre do fato de ter sido o primeiro modelo que eu criei. Tinha zero experiência e pouquíssima habilidade técnica, então tive que ir reduzindo ao mínimo pra que eu conseguisse de fato construir a bolsa. E esse modelo ter ficado tão bom, é uma felicidade tremenda pra mim.

FTC: A Formas Simples tem peças totalmente atemporais, mas que misturam couro e lona encerada, por exemplo. Qual a dica você daria para quem quer usar as peça?

Que pergunta difícil… quando eu penso em acessórios que eu quero usar, eu sempre quero coisas simples e que sejam bonitas por si só, pra facilitar na hora de me arrumar. Não quero ficar me preocupando que uma coisa não combina com a outra, gosto de praticidade.

Então, é isso que eu tento fazer com as bolsas: que elas sejam objetos bonitos em si e que componham com o todo. E como elas são simples, elas combinam com tudo.

FTC: Com o que você se inspira?

A inspiração é o que nome diz: as formas simples e geométricas, quadrados, círculos, trapézios. Aos poucos, eu vou adquirindo mais habilidade técnica e vou conseguindo criar modelos mais complexos, como foi feito com a Bolsa Balde, que vou lançar agora.

Me inspiro muito na arte também, e em pinturas principalmente. Não é uma inspiração direta, mas sempre tenho vontade de criar quando vejo coisas bonitas e acabo criando bolsas.

FTC: Pode contar um pouco do seu processo criativo?

Eu morro de medo de chegar um dia não saber o que fazer, ou não ter inspiração, então eu tenho uma lista gigante de possíveis bolsas. Quando surge uma ideia de bolsa ou acabamento, eu anoto lá, muitas vezes com um croqui explicativo. No momento que me sobra um tempinho eu vou na minha listinha e escolho alguma coisa pra fazer.

Na faculdade de arquitetura, eu tive um professor que dizia que a gente tinha que copiar muito, pra gente roubar muitas coisas diferentes na hora de fazer um projeto. Pois quanto mais ideias diferentes você copia, mais original o seu produto final fica. E eu faço isso com as bolsas também, tenho muitas pastas no Pinterest com diferentes modelos, detalhes, materiais e quando vou fazer alguma bolsa nova, eu me inspiro, copio e o resultado final é sempre alguma coisa diferente de tudo o que tem lá.

E ter tudo organizado ajuda muito. No final do dia, o ateliê tá bagunçado, mas pra começar, tem que estar tudo organizadinho pra fluir bem.

FTC: Uma frase que define a vibe Formas Simples;

Bolsas minimalistas e com borogodó.

FTC: O que dá mais prazer neste trabalho de criação das bolsas e acessórios? E o que dá menos?

O que dá mais prazer na criação das bolsas, é a criação das bolsas. É pensar um modelo novo, é resolver os problemas da modelagem, da funcionalidade e fazer tudo ficar bonito no final.

E gente, toda vez que eu alguém compra uma bolsa minha, eu acho uma coisa meio surreal. Alguém vai me dar seu suado dinheirinho por uma coisa que eu fiz com as minhas mãos? Isso é muito bacana!

E o que mais me tira o sono são as redes sociais. Não levo muito jeito, mas tenho procurado maneiras de fazer do meu jeito pra não ser algo tão difícil.

FTC: E agora, o que vem pela frente?

O que vem pela frente é mais tempo mexendo com couro: vou trazer meu ateliê pra dentro de casa, qualquer minutinho vai ser trabalhando. No ano passado, eu estava trabalhando em escritório só meio período, então tinha bastante tempo com o couro. Esse ano voltei a trabalhar full time com arquitetura, então tenho que conseguir aproveitar qualquer minutinho.

E estou começando a fazer costuras à mão, começando com peças pequenas, carteiras, bandejas. A costura manual é muito terapêutica, é maravilhoso. Ainda não me arrisquei com bolsas e peças maiores, mas vou chegar lá!

ONDE ENCONTRAR AS BOLSAS MINIMALISTAS FORMAS SIMPLES

Clarice entrega suas lindas bolsas para todo o Brasil. Você pode comprá-las pelo site da marca, que é super seguro. Por aqui, somos fãs desde o início da marca! Continue acompanhando as pesquisas e novidades da Formas Simples no Instagram.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no FTCMAG.



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