Desde muito pequeno, Vini Santos tinha a arte como sua disciplina favorita na escola. Ele teve duas professoras no primário que lembra com carinho até hoje que o incentivaram muito. Sua mãe também se preocupou em colocar desde cedo em aulas de desenho, percebendo aptidão e paixão pelas cores.

Vini cursou Design gráfico e a paixão por ilustração e arte só aumentava. Após se formar, foi para São Paulo para buscar trabalho e se frustrou enormemente. Diante disso, começou a pensar em outras áreas onde pudesse fazer o que adora: ilustrar.

A tatuagem, até então, era um flerte distante e ele achava complexo trocar os papéis e os pincéis por peles e agulhas; Porém, como já estava decidido a não trabalhar mais, ao menos diretamente para o mercado de design gráfico, Vini Santos resolveu entrar em contato com uma amiga que desde a época da faculdade já tatuava, Fernanda Rodrigues.

“A Fer me proporcionou um primeiro contato com a tattoo, me mostrando todo o procedimento e permitindo que eu acompanhasse duas sessões de tattoo dela. Sou muito grato pela oportunidade. Depois de treino, comprei os equipamentos básicos de tattoo e regressei ao interior de SP com um claro objetivo em mente: aprender a tatuar!”. 

Após este percurso, a vida de Vini mudaria para sempre. Hoje, o profissional pensa que não faz sentido algum separar tatuagem de ilustração, pois, pra ele, arte é uma coisa só. “Ilustração é ilustração, não importa o suporte! No final, o artista só precisa aprender a parte técnica da coisa, e se adaptar ao equipamento, suporte e novos processos”.

Seu trabalho traz muita cor, linhas expressivas e muito talento. Confira nossa entrevista exclusiva com o artista!

ENTREVISTA VINI SANTOS

FTC: Vini, como você define seu estilo hoje?

Penso que definir algo é uma coisa complicada e limitante. Eu diria que, minha arte, assim como acontece com a arte de vários artistas que sou fã, é algo em constante evolução. E assim deve ser o fazer artístico! Quando paramos de evoluir, de experimentar, de nos encantar com novas descobertas e de principalmente estudar, já deixamos de ser artistas.

FTC: Com o que você se inspira? 

O que basicamente me inspira é o feminino e a natureza (que na verdade é a mesma coisa, pra mim). Costumo escutar muita música tribal/ancestral/folk/oriental e hoje eu separo em duas categorias: músicas curativas e as outras (apesar de compreender que praticamente toda música é curativa, penso que as ancestrais ou as inspiradas pela ancestralidade são mais direcionadas).

Busco estar atento, pois uma inspiração pode vir das coisas mais simples; e as inspirações que surgem de coisas simples são muito poderosas. Basicamente todos os dias estou acompanhando meus artistas favoritos e suas produções; isso também abre a cabeça para mais fontes. Os artistas que admiro são tantos que fica difícil escolher quais devo citar.

Também a ordem da lista varia muito de acordo com a minha vibe no momento… mas sem dúvida me identifico muito com Van Gogh e suas buscas artísticas e pessoais. Pra citar mais alguns: Sargent, Charles Reid, Paula Bonet, Conrad Roset, Don Andrews, Agnes-Cecile, Nadi tattooer, Victor montaghini, Victor Octaviano, Karl Martens, Alex Kanevsky, Golucho, Benjamin Björklund, Nick Runge, Eudes Correira… sério, a lista é quilométrica. O meu Pinterest é algo que consulto diariamente pra me lembrar dos trampos F#D@%! que vou coletando.

FTC: Por que escolheu a aquarela como maneira de se manifestar?

Tive a honra de estudar, durante parte da minha adolescência, com um grande aquarelista da cidade, Francisco Lopes, que mudou completamente a minha visão artística. Não sei se fui eu quem escolheu a aquarela ou o inverso, mas tenho muito carinho pela técnica. Adoro a simplicidade complexa da aquarela… é uma técnica que te desafia a ser espontâneo. É muito prático trabalhar com a aquarela.

Quando vejo, por exemplo, as pinturas de Turner ou as de Sargent posso ficar boquiaberto com os óleos, porém as suas aquarelas tem um poder singular!

FTC: Está tocando algum projeto especial ou específico atualmente?

Atualmente estou me aventurando a fazer algo que sempre quis fazer e sempre adiava, estou dando aulas de aquarela. E também tenho o objetivo de produzir mais pinturas, pois não quero ficar só na tattoo. Pretendo gradativamente levar o meu trampo para outras plataformas, entre elas o muralismo.

FTC: E agora, o que vem para o futuro?

Quero manter a cabeça e o coração abertos para novas possibilidades, parcerias, e me manter cada vez mais ativo. É importante também não ficar muito bitolado somente numa atividade, pois isso não é muito saudável para a mente e para o corpo.

FTC: A arte salva?

A arte sempre salvou, salva, e precisa continuar salvando. A arte é uma poderosa ferramenta que nos faz enxergar, comunicar, expressar, compartilhar, somar, juntar, fortalecer, mudar e nos conectar com algo mais sublime.

O sistema conhece a força da arte e seu potencial de mudança de consciência e vibração, por isso ela é colocada sempre em segundo plano (ou inexistente) nas escolas e muitas vezes negada à grande massa por aqueles que querem dominar.

Uma nação sem acesso à arte e cultura é uma nação dominada.

Veja mais trabalhos de Vini Santos em seu site e acompanhe o artista pelo seu Facebook e Instagram. Vini hoje atende em Araraquara, SP, mas está aberto a guests pelo Brasil inteiro!

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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