Mais um ano se foi e 2020 podemos descrever como atípico. Quem não alterou o seu jeito de viver (pelo menos um pouco) é porque está, com certeza, negando algo ou vivendo em uma realidade paralela. A pandemia não acabou e estamos exaustos, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Algumas pessoas desejam muito interação física, mas se sentem receosas. Outras, no entanto, estão mais propensas a sair de casa e frequentar espaços públicos outra vez.

Nesse novo cenário, está sendo fundamental se adaptar a um novo conceito de conforto, prestação de serviços sem contato, trabalho híbrido, além de redefinirmos o modo como as nossas interações ocorrem – on-line e off-line –, além de ressignificar produtos e espaços sociais em nome da saúde.

O que chamávamos de “Transformação Digital”, “Futuro tecnológico”, foi acelerado em questão de meses, redefinindo o modo como as pessoas têm acesso às novidades e compras. Nunca o comércio eletrônico foi tão importante. As marcas passaram a buscar narrativas diferentes, vídeo-aulas, totens, QR-Codes para o contato ser diminuído e as vendas presenciais sobreviverem nos momentos de abertura, enquanto plataformas e softwares ganhavam atualizações para colaboração na web.

Além disso, neste meio tempo surgiam novas necessidades, vistas tanto aqui no Brasil quanto no exterior, que pelo jeito vieram para ficar. São delas que vou falar um pouco agora, destacadas pela WGSN no relatório “Retomada – Reconectar em um mundo sem contato”. Confira:

1 – NOVOS PADRÕES DE DESLOCAMENTO

Com a pandemia, ficou claro que muitas pessoas passaram a sair de casa mais a pé ou deram ênfase para a bike por conta das academias fechadas – seja quando é preciso fazer um supermercado ou pela atividade física. Muitos precisaram vender seus carros também, enquanto outros trocaram/alugaram um modelo menor para continuarem a trabalhar. No meio do furacão, com a crise, ainda é preciso considerar cada detalhe para que a compra e venda seja fácil e segura e você não perca dinheiro e não se estresse mais.

Os consumidores começaram a renunciar cada vez mais ao transporte de massa em nome de alternativas individuais e ao ar livre, com as bicicletas (uma tendência que já é notada pelo boom de vendas do setor e por novas iniciativas dos governos) e esse cenário exigirá roupas, calçados e equipamentos próprios, com foco especial em produtos leves e adaptáveis, além de tecidos de alta performance capazes de proteger o usuário. Além dos moradores das metrópoles, o público dos subúrbios e das áreas rurais também adotará o ciclismo como uma atividade familiar segura e saudável.

Deverá haver uma demanda maior para itens versáteis, como blazers fáceis de embalar e o short-saia para bike (que disparou 117% nas pesquisas feitas no Google entre março e maio de 2020).

Marcas e agências estão investindo em campanhas motivacionais para inspirar o público a pedalar. Entre os exemplos, destaque para as hashtags #gobybike, da Trek Bike, e #optoutside, da REI.

2 – BELEZA DA NOVA GERAÇÃO

As preocupações com a higiene e a saúde exigirão produtos com ingredientes antivirais e antibacterianos, particularmente os adaptógenos. Itens básicos, como shampoos e shower gels, serão sofisticados e reformulados por meio de ingredientes que protegem e imunizam. Além disso, por conta da origem zoonótica do coronavírus, os ingredientes à base de plantas devem ganhar popularidade. Dispensers que não precisam ser tocados, dispositivos inteligentes e aplicadores revolucionários serão a norma.

O mercado global de álcool em gel deve crescer de US$ 1,08 bilhão em 2019 para US $ 1,51 bilhão em 2024 (uma taxa de crescimento CAGR de 5,8%), de acordo com um relatório da Fior Markets.

Asquan e Pylote fizeram uma parceria para desenvolver pincéis de maquiagem com proteção natural contra contaminações de vírus e bactérias. A partir de agora, esse tipo de inovação deve ser de praxe.

3 – DESIGN ACOLHEDOR

As empresas terão que se adaptar e planejar espaços para tornar o distanciamento social mais fácil e menos institucional. Áreas de recepção terão estações com álcool em gel; zonas livres serão essenciais, com informações dispostas no solo, nas paredes e em partições. Materiais, acabamentos e dispositivos tecnológicos irão garantir a segurança dos locais de trabalho, enquanto salas de reunião serão abertas para a melhor circulação do ar, mas sem abrir mão da privacidade. Com o público reticente quanto ao uso de utensílios de cozinha, os conjuntos individuais, práticos e compactos, de copos e talheres serão fundamentais.

Na Amazon, as buscas por produtos que dispensam o contato físico cresceram 2000% em maio.

Desenvolvido pela Peel, o Keychain Touch Tool é um dispositivo que permite abrir portas ou apertar botões sem tocar em nada. Se você estiver desenvolvendo algo similar, avalie quais informações e acessórios você pode oferecer junto com o produto para facilitar a limpeza e o armazenamento dele após o uso.

4- AUTOSSUFICIÊNCIA

A quarentena estabeleceu novos comportamentos, como estocar mantimentos, assar pães em casa e ser autossuficiente – uma tendência que deve se manter no futuro. As pessoas estão fazendo compras de um modo mais consciente e se interessando por produtos básicos aprimorados. Para cultivar vegetais, moer grãos e preparar alimentos, elas irão utilizar técnicas e dispositivos novos e antigos. Amplie a sua linha de refeições congeladas, pré- preparadas e faça você mesmo, para sofisticar as suas ‘comidas conforto’. Invista também em novos sabores de culinárias regionais, já que viajar e sair para comer não são opções neste momento, e promova os utensílios domésticos que possibilitem a autossuficiência, de moedores de grãos a estufas hidropônicas. Você também pode criar facilmente a sua própria horta em casa, que tal?

De acordo com uma pesquisa da consultoria Mintel, 25% dos adultos americanos estavam estocando comida e mantimentos extra em março.

A estufa Smart Grower, da Aspara, requer pouco espaço. Ela conta com luzes de LED, sistema de irrigação automático e sensores, possibilitando o cultivo de vegetais em lugares fechados, como dentro de casa.

5 – TRANSPARÊNCIA E OTIMISMO

Em meio à pandemia, as pessoas estão imaginando um futuro mais otimista e, em um cenário incerto e de economia volátil, elas terão hábitos de consumo mais conscientes. Será essencial que as empresas promovam ideias positivas e causas sociais, buscando se conectar ao público de um modo emocional, com integridade e transparência. O público espera que marcas e influenciadores usem as suas plataformas para o bem, com o objetivo de criar um futuro melhor.

Embora muitas pessoas nos EUA estejam atravessando um momento financeiro difícil, uma pesquisa feita pela consultoria Morningstar Research apontou que 81% da Geração Z se mostra feliz e otimista em relação ao futuro.

Para promover a sua base Infallible Cushion, a L’Oréal China se uniu a uma popular rede de restaurantes de sopas e caldos do país, a Dian Tai Xiang, para uma campanha divertida. Diversas influenciadoras de beleza testaram o produto nos ambientes tradicionalmente úmidos desses restaurantes e compartilharam os resultados nas mídias sociais com a tag ‘let’s play hot’. A campanha viralizou na plataforma Weibo.

COMO COLOCAR ESSES PONTOS EM PRÁTICA?

Abrace o digital

Invista em áreas como e-commerce, transmissões ao vivo, narrativas interativas, mensagens de texto e games – elas serão essenciais para você se conectar ao público em um mundo sem contato físico.

Segurança em primeiro lugar

O distanciamento social e as soluções que evitam o contato físico precisam ser o foco dos seus produtos, serviços e espaços.

Priorize o bem-estar

Os consumidores passaram a se importar ainda mais com o bem-estar durante a pandemia. Por isso, crie produtos que protejam e melhorem a saúde.

Seja sustentável e foque na comunidade

À medida que as pessoas começam a imaginar um mundo melhor, será mais importante do que nunca criar produtos e experiências que sustentem as comunidades locais e o planeta.

Comunique-se de forma clara

Em meio ao ‘novo normal’, é importante se aproximar do seu cliente, Comunique-se de modo direto, inclusivo e transparente, sem deixar as emoções para trás.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no Follow the Colours.


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