Um apartamento em Berlim com design original de Le Corbusier finalmente foi finalizado pelo arquiteto Philipp Mohr sessenta anos após sua criação. Confira o resultado

Quando Le Corbusier projetou suas estruturas brutalistas Unité d’Habitation em Marselha e Berlim, o arquiteto as imaginou como modelos para o futuro da vida urbana vertical. Mas, como dizem na guerra: seus planos não sobreviveram ao contato com o inimigo.

Concluída em 1958, a versão de Berlim em particular foi alterada internamente antes da construção, o que significa que os layouts e detalhes originais que o arquiteto tinha em mente foram deixados em grande parte na mesa de desenho, substituídos por soluções mais baratas, feitas por alemães. Pelo menos até o arquiteto alemão-americano Philipp Mohr ter comprado uma unidade no prédio.

Philip adquiriu um loft no condomínio que, na época, “era todo branco e parecia mais uma prisão ou a típica habitação social alemã dos anos 80, diferente de qualquer coisa que Corbusier já tivesse projetado”. Até mesmo as alturas do teto estavam fora de alinhamento com o projeto original.

Além de restaurar o espaço, Mohr estudou documentos históricos de design na Fundação Le Corbusier e na Cité d’Ichitecture et du Patrimoine em Paris para ver o que realmente havia sido construído. Com o projeto em mãos, começou a estudar cores, iluminação, acabamentos, planos e outros detalhes de Le Corbusier para replicar sua visão original o máximo possível.

Ao fim da renovação, Mohr acredita que o espaço ficou bem melhor: “as cores são atemporais, calmas e convidativas”. O esquema de cores foi cuidadosamente escolhido com base em pesquisas sobre os escritos de Le Corbusier sobre a teoria das cores. Alguns dos tons de tinta utilizadas foram desenvolvidas pelo próprio Le Corbusier. E completa: “o uso de madeira e acabamentos naturais é confortável e acolhedor. As proporções são agradáveis e a relação com as visões e a luz é positiva e inspiradora.”

Sessenta anos depois, a restauração do apartamento criado por Le Corbusier pode finalmente ser concluída e o resultado é realmente incrível. Mohr conta que já encontrou um comprador para o apartamento de número 258, que foi vendido totalmente mobiliado com todas as peças que ele utilizou no projeto, muitas das quais são originais. “Como designer, eu nunca tenho qualquer influência sobre o que os clientes farão com o apartamento, mas a esperança é que esse projeto se preserve”.

Mohr, que era fã do influente arquiteto desde que participou de uma exposição quando adolescente, nos anos 80, comprou o apartamento em 2016 com a intenção de reforma e venda.

LE CORBUSIER

Le Corbusier em seu Atelier em Paris 

Charles-Edouard Jeanneret-Gris, mais conhecido como Le Corbusier, foi um arquitetourbanistaescultor e pintor, de origem suíça e naturalizado francês, considerado juntamente com Frank Lloyd WrightAlvar AaltoMies van der Rohe e Oscar Niemeyer, um dos mais importantes arquitetos do século XX.

Sua principal preocupação em suas obras era a funcionalidade. As edificações eram projetadas para serem usadas. Ele definiu a arquitetura como o jogo correto e magnífico dos volumes sob a luz, fundamentada na utilização dos novos materiais: concreto-armado, vidro plano e outros materiais. Tornou-se, assim, um arquiteto conhecido entre a vanguarda.

Via/Via. As imagens são de Didier Gaillard-Hohlweg.

Marjorie Simões é designer de interiores e artista visual. Curiosa, observadora e pesquisadora, adora aprender coisas distintas para depois conectá-las. Valoriza os trabalhos manuais, a cultura vernacular, a economia criativa e a produção/consumo sustentável. Acredita no poder das cores e tem leves faniquitos quando entra em ambientes beges.

Marjorie Simões – já escreveu posts no Follow the Colours.


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