Com o COVID-19 experimentamos um choque global, uma ameaça intensa e urgente à saúde humana que perturbou a economia e iluminou duramente as fragilidades e falhas de sistemas econômicos, governos, saúde, cadeias de suprimentos, e fez muita gente repensar sobre o consumo excessivo. A maneira como vivemos não serve para muitas pessoas. A abordagem “pegue-compre-use-jogue” dos recursos levou nosso planeta a um ponto de ruptura. O sistema mostrou que está falhando com as pessoas e com o planeta, e a mudança necessária parece atrasada.

Em alguns países começamos a ver sinais por essas mudanças. Nos Estados Unidos, Reino Unido e China, por exemplo, 84% das pessoas acham que as economias devem ser reconstruídas de uma forma que defenda a inclusão e a sustentabilidade. Mas a verdade é a seguinte: a biodiversidade continua em crise, as desigualdades estão aumentando, exacerbadas pela pandemia. Governos e empresas estão definindo metas distantes, daqui a décadas.

Porém, há uma série de oportunidades que estão sendo desbloqueadas e apontam para outras maneiras de inovar. Empresas e marcas envolvem as partes interessadas a fazerem negócios, e para um futuro melhor.

Quando acessamos diversos relatórios de tendências, fica claro então que as inovações tem tudo para serem solúveis, plantáveis e regenerativos. A ciência está abrindo o caminho para um futuro criativamente sustentável, fazendo o melhor uso dos recursos naturais e trazendo novos caminhos contra o consumo excessivo. Mas como isso ajudaria o cenário?

Abaixo, reunimos as cinco principais inovações recentes em ciência dos materiais futuros, da embalagem à moda de luxo. São novas ideias e inspirações para se ter em mente ao criar produtos e encontrar um menor custo para o meio ambiente. Confira exemplos práticos:

1 – BIOPLÁSTICOS REGENERATIVOS

A Xampla, um spinout da Universidade de Cambridge, desenvolveu uma alternativa ao plástico baseada em plantas que usa os princípios inspirados em teias de aranha. Considerado o 1º material protéico vegetal do mundo para uso comercial, a ideia funciona como polímeros sintéticos, mas se decompõem natural e totalmente, sem prejudicar o meio ambiente. Tem como objetivo substituir plásticos descartáveis ​​como sachês e até microplásticos em líquidos e loções.

A Sway, uma empresa da Califórnia, também está substituindo plásticos de uso único por bioplásticos regenerativos feitos de algas marinhas. A startup foi selecionada pelo consórcio Beyond the Bag como vencedora de um concurso em fevereiro de 2021, e planeja testar sua alternativa ainda este ano.

2 – EMBALAGENS BIOCONTRIBUIDORAS

As embalagens biocontribuidoras também estão ganhando força. A marca britânica de bem-estar Haeckels traz caixas feitas a partir de micélio, material que forma o sistema radicular dos cogumelos, combinando-o com serragem, linho e cascas de cânhamo, enquanto a empresa de bebidas sem álcool Seedlip lançou embalagens de micélio compostáveis em setembro de 2020.

Esta mistura normalmente é cultivada em um molde, com o micélio agindo como cola. O material seco é leve e resiste ao impacto e ao calor. A tag externa, no caso da Haeckles, é feita de papel de semente—uma polpa de papel reciclada misturada com sementes de flores silvestres. Após o uso, a caixa de micélio e o papel de semente podem ser enterrados e plantas nascerão.

A Seed, marca de pré e probióticos, também produziu bandejas de micélio que protegem os frascos de vidro recicláveis da marca. Suas embalagens se decompõem naturalmente no solo dentro de 30 dias. O preenchimento foi feito para proteger seus produtos em trânsito e é feito também combinando o material com amido de milho não transgênico.

3 – CASCA DE LARANJA PARA IMPRESSÃO 3D

A Krill Design, um estúdio italiano fundado em 2018, vem desenvolvendo uma série de produtos de design circular e biomateriais. Após um processo de pesquisa, os profissionais encontraram sucesso na mistura de cascas de laranja secas moídas com uma base biopolimérica feita de amido vegetal para criar um processo de impressão 3D. A partir disso criam diversos objetos como caixas, bandejas, abajures.

Após o ciclo de vida, o material pode ser adicionado ao lixo orgânico da casa e, transformado em composto ou biocombustível.

4 – POLPA DE MADEIRA COMO FIBRA TÉXTIL SUSTENTÁVEL

A Spinnova, uma startup finlandesa, transforma polpa de madeira em fibras para têxteis vestíveis. Assim, as roupas são criadas sem grande uso de água e emissões de CO2 como o convencional. Para fabricação dos tecidos é usado um processo mecânico para girar as fibras naturais através de pequenos bicos que criam os filamentos têxteis.

O único subproduto da tecnologia da Spinnova é a água que evapora durante a secagem e é reutilizada no processo de fiação. A Marimekko foi a primeira marca a apostar na ideia e recentemente, anunciaram uma parceria com a H&M.

5- MICÉLIO

Os cogumelos também viraram material alternativo para tecido e couro sustentável que usa o micélio como base principal e até imitam a textura do suede dando vida à luminárias, bancos e outros objetos de design. Cada vez mais a ideia se torna mainstream, graças às principais marcas de moda e roupas esportivas.

As peças exploram estes pequenos seres que crescem magnificamente na natureza e incluem Adidas, que lançou seu tênis mycelium em abril de 2021; Hermès, que revelou uma versão de micélio de sua bolsa Victoria de couro clássica em março de 2021; e Stella McCartney, que lançou a primeira coleção cápsula de roupas de luxo feita de couro vegano (acima) à base de cogumelos em março de 2021.

DICA PARA AS MARCAS

As marcas devem transformar o desperdício em novas fontes de uso ou reutilizar materiais naturais locais para criar designs artesanais profundamente enraizados na sustentabilidade. À medida que a demanda do consumidor por embalagens ou peças com desperdício zero aumenta, o uso de materiais naturais alternativos biodegradáveis, compostáveis e renováveis se tornará ainda mais importante. Isso sim é o que chamamos de materiais do futuro! 

Fonte: Relatório Regeneration Rising: Sustainability FuturesAnti-excess consumerism / Springwise / This is Finland / Wunderman Thompson

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no FTCMAG.



Comentários