O design do Museu de Astronomia de Xangai celebra a continuidade do tempo e do espaço: moderno e voltado para o futuro, ao mesmo tempo que traz uma ligação com o passado; reflete a rica história da astronomia chinesa quanto as ambições futuras de seu programa de exploração espacial 

Xangai, na costa central da China, é a maior cidade do país e núcleo financeiro global. Seu centro é chamado de Bund, uma famosa área à beira-mar repleta de edifícios da era colonial. Do outro lado do rio Huangpu destaca-se um horizonte futurista no distrito Pudong. Entre o passado e o futuro, a cidade hoje é uma das mais modernas do mundo.

Não foi a toa então que estúdio de Nova York Ennead Architects concluiu a obra do maior museu do mundo dedicado à astronomiaProjetado para refletir as formas e a geometria do universo, o museu recém-inaugurado não possui linhas ou ângulos retos.

O conceito de design da obra era incorporar abstratamente dentro da arquitetura algumas das leis fundamentais da astrofísica, que são regra no espaço, explicou o parceiro de design da Ennead Architects, Thomas J Wong. “Na medida do possível, queríamos que este edifício ecoasse a essência do universo e não há linhas retas ou ângulos retos no espaço!” ele continua. “Uma vez que abraçamos a ideia de um conjunto de formas curvilíneas, capitalizamos todas as oportunidades para torná-la a própria base da construção e da experiência.”

Localizado no Lingang, a sudoeste da cidade, a instituição faz parte do Museu de Ciência e Tecnologia de Xangai (Shanghai Science and Technology Museum), e tem 39mil m2. Os arquitetos projetaram o edifício em torno de três formas arquitetônicas distintas que foram derivadas do movimento de corpos dentro do universo.

“Estamos dentro de um universo que está continuamente em movimento, algo tão essencial quanto fácil de ignorar”, disse Wong, ao site Dezeen. “A noção de movimento orbital e sua relação com o tempo tornou-se uma fonte primária de inspiração arquitetônica. Existem três elementos de design primários que definem as peças do edifício e também fornecem uma lente  para observarmos o próprio movimento orbital da Terra: a cúpula invertida, a esfera do planetário e o Oculus”.

O museu é dividido em dois grandes volumes arredondados, um dos quais pende sobre uma praça e uma piscina refletora em frente à entrada principal do museu.

Ao ligar o novo Museu ao propósito científico e às referências celestes dos edifícios ao longo da história, as exposições e a arquitetura comunicarão mais do que conteúdo científico: iluminarão o que significa ser humano em um universo vasto e amplamente desconhecido

Uma abertura circular dentro deste volume em balanço, chamada “The Oculus”, foi projetada para mostrar o passar do tempo. Ao meio-dia do solstício de verão (quando um dos pólos da Terra tem sua inclinação máxima em direção ao sol), um círculo completo é projetado em uma plataforma construída dentro da praça.

O edifício foi feito com uma consciência real da jornada do visitante do início ao fim para proporcionar vários momentos de impacto e reflexão ao longo do caminho. A entrada principal leva a um grande hall de recepção, que contém uma rampa curva com várias exposições e é coberta pela cúpula invertida.

Criado como uma sequência de galerias, um espaço no no topo da cúpula invertida traz uma “visão desempedida do céu”. A maioria das galeria estão posicionadas de um lado do hall de entrada, com o teatro do planetário localizado do outro.

O planetário foi projetado para ter um impacto visual imediato.“Outro momento de impacto dentro do Museu de Astronomia de Xangai ocorre com a suspensão leve da esfera, gradualmente revelada à medida que se aproxima do átrio e desafia visualmente todo o senso de gravidade”, disse Wong.

“Incorporada no plano do telhado da ala inferior do museu, como se estivesse saindo do horizonte ligado à Terra, a esfera emerge gradualmente à vista à medida que se contorna o edifício do lado de fora, o drama se desenrola como se estivesse em um planeta próximo de uma de suas luas.”

Wong espera que a obra complemente as exposições para ajudar os visitantes a entender o universo. O objetivo é tornar as pessoas mais conscientes do céu – e não apenas abrigar exposições sobre o espaço, mas colocar os visitantes em um envolvimento direto com as estrelas.

O universo pode parecer abstrato – mas o Museu fornece algo tangível e emocionante.

Imagens: ArchExists.

Carol T. Moré é editora do FTC. Internet, café, todo tipo de arte, viagens e pequenos detalhes da vida a fazem feliz. Acredita que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

Carol T. Moré – já escreveu posts no FTCMAG.



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